Início melhor não poderia ter, veja abaixo algumas das notas do que identificamos neste dia 1 da Super Final da ISL em Budapeste:

* Caeleb Dressel, Caeleb Dressel, Caeleb Dressel, não tem como não começar falando dele. É um nadador espetacular, sendo que na piscina curta, vira um animal indomável, e quase imbatível. Seus fundamentos são perfeitos (ou quase, abaixo falo de um erro que está acontecendo com frequência), seus submersos muito potentes e algo que sempre me impressiona, sua transição, aqui entra um componente incrível de sensibilidade, talvez um de seus maiores atributos.
* O recorde mundial dos 100 borboleta era 48.08, Dressel fez 47.78, até aí 30 centésimos de baixada, mas o melhor do americano era 48.71, ou seja, quase um segundo de melhora! Seus parciais 22.44 e 25.34.
* Agora, Dressel detém os recordes mundiais de piscina longa (49.50) e curta (47.78) dos 100 metros borboleta.
* Não tínhamos um mesmo nadador recordista mundial dos 100 borboleta nas duas piscinas desde Ian Crocker em 2004.
* No recorde mundial dos 50 livre, sugestiono que leiam a análise técnica da prova (link). Lá descrevo sua última braçada anos da virada, pouco efetiva, mesmo erro que cometeu nos 100 livre. Natação de alto rendimento é feita de detalhes e eles servem para o crescimento do atleta.
* O recorde anterior (20.24) já era dele, agora Dressel tem quatro das 10 melhores marcas dos 50 livre em piscina curta, três das quatro melhores e as duas melhores. Isso num nadador que nadou apenas 18 vezes, em toda sua carreira, os 50 livre em piscina de 25 metros.
* Kliment Kolesnikov recuperou o recorde mundial dos 100 costas na abertura do revezamento 4×100 metros medley. Ele já havia batido em 2017, mas perdeu para o chinês Xu Jiayu na Copa do Mundo do ano passado. Pegou de volta com 48.58, três décimos abaixo da marca do chinês.
* Kolesnikov faz parte da nova geração de nadadores russos. Todos treinando na Rússia, com treinadores russos, e numa das melhores gerações pelo menos dos últimos 30 anos, ou mais. A Rússia vai dar muito trabalho em Tóquio. Hoje ainda teve Evgeny Rylov metendo mais de um segundo de vantagem sobre Ryan Murphy nos 200 costas. O 1:46.37 foi o terceiro melhor tempo da história.
* Ainda tivemos outro recorde mundial com as meninas do Cali Condors no 4×100 metros medley para fechar o primeiro dia com 4 recordes mundiais Vale lembrar que na temporada 2019 foram apenas 3 recordes mundiais em toda temporada. Em 2020, já vamos em 7.
* Os revezamentos vencedores do 4×100 metros medley determinam a escolha do nado para a prova de skins que fecha a ISL amanhã. Cali no feminino e Energy Standard no masculino optaram pelo peito. No Cali, pensando em Lilly King e Molly Hannis, no Energy, tudo para evitar outro show de Caeleb Dressel. Bom que na prova dos 50 peito vamos ter dois brasileiros na água, Felipe França e Felipe Lima.
* Das 20 provas do primeiro dia, 11 tiveram recordes da Liga, não só melhores tempos do ano, mas recordes da Liga:
Masculino – 50 livre, 100 livre, 100 costas, 100 borboleta, 4×100 livre, 4×100 medley
Feminino – 100 livre, 50 peito, 200 peito, 4×100 livre, 4×100 medley
* Beryl Gastaldello continua impressionante. A francesa do LA Current bateu Sarah Sjoestroem nos 100 borboleta, mas não teve energia para render nos 50 livre.
* Lilly King segue forte, mais duas vitórias. Nos 200 peito, chegou a ser ameaçada mas levou e ainda bateu o recorde americano. Nos 50 peito, recorde da Liga. Que nadadora!
* Melhor brasileiro do primeiro dia foi Vinicius Lanza e seus 49.86 nos 100 borboleta. É a segunda vez que quebra a barreira dos 50 segundos, melhor marca pessoal.
* Destaque também para Felipe França, 25.99 nos 50 peito, não quebrava a barreira dos 26 segundos desde o Mundial de Doha, em 2014.
* Prova limpa nos 50 peito masculino. É importante dizer pois o nado de Ilya Shymanovic já rendeu polêmica anterior. Desta vez, ganhou os 50 peito por 2 centésimos contra Adam Peaty com chegada e virada sem qualquer irregularidade. Aliás, importante destacar que o movimento de pernas para cima na virada de peito, na projeção do corpo a frente, é totalmente legal, o problema é a pernada para baixo. Neste quesito, da pernada para cima, ninguém faz tão bem como Felipe França.
* Os 200 peito masculino acabou sendo a prova mais fraca do dia. Durante a temporada tivemos quase um recorde mundial e terminar a temporada com 2:01.71 acabou ficando um pouco frustrante.
* Cali Condors na frente, vantagem pequena, apenas 27,5 pontos a frente do Energy Standard. Competição aberta, mas toda vantagem para o Cali que segue favorito.

Amanhã tem mais!

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