Passavam poucos minutos das 5 da manhã em Fort Lauderdale, na Flórida. Recebia um telefonema internacional direto do hospital de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos. Era o treinador Rogério Arapiraca que estava acompanhando seu atleta Allan do Carmo que minutos antes havia disputado a prova que encerrava o calendário da Copa do Mundo de Águas Abertas.

Allan, como tantos outros, se sentiu mal na prova, a temperatura d’água estava acima dos padrões normais, e foi um dos dois nadadores que foi levado para o hospital local. O outro foi o americano Francis Crippen, este já levado sem vida.

A morte de Crippen foi o maior golpe já sentido em eventos da FINA em todos os tempos. É a única morte contabilizada nos eventos de alto rendimento da FINA em mais de 100 anos de existência da entidade. Sua perda também gerou uma série de mudanças de regras e controles no esporte, em favor da segurança e vida dos atletas.

Francis Crippen nasceu em Bryn Mawr, Pennsylvania, no dia 17 de abril de 1984. Naquele 23 de outubro, tinha 26 anos. Era a última prova do calendário, e pelo antigo regulamento da Copa do Mundo, para garantir o vice campeonato do calendário teria de completar a prova. Atualmente, o novo regulamento apenas diz que você precisa “largar” na última prova.

E Crippen tentou. Durante toda não se sentia bem. O treinador americano que fazia a sua alimentação não viu ele passar na última volta. Na verdade, demorou 90 minutos para o outro nadador americano, Alex Meyer, começar a gritar na praia de Fujairah em busca de Crippen. Ninguém tinha visto ele, ninguém sabia dele.

A segurança da prova era bastante precária, mesmo assim, barcos e jet skis voltaram para a água. Nadadores que haviam completado a prova saíram todos de seus repousos para sair em busca de Crippen, ou do corpo dele que já foi encontrado cerca de 400 metros da chegada, já sem vida.

10 anos depois, as águas abertas possuem novas regras e limites estabelecidos por conta desta tragédia. As temperaturas mínima e máxima foram estabelecidas e seguidas a risca. Os níveis de segurança das provas incrementaram e por muito tempo os Emirados Árabes Unidos foram impedidos de sediar eventos.

FINA e USA Swimming tiveram uma crise muito grande por conta deste episódio, se afastaram politicamente. A família de Crippen recusou a compensação que a entidade ofereceu e decidiu abrir uma fundação que leva o nome de Crippen nos Estados Unidos promovendo a nova geração de atletas de águas abertas.

Uma pena que esta perda tenha sido necessária para que a modalidade tivesse regras mais adequadas e seguras para os atletas.

 

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