Os números recentes da Pandemia do Coronavírus no Brasil são positivos. Queda na média móvel tanto em casos como mortes, a situação é positiva, embora ainda não controlada. Não há como não ficar preocupado e atento com o país que acumula mais de 5 milhões de casos positivos, terceiro do mundo, e mais de 155 mil mortes, atrás apenas dos Estados Unidos. Na estatística das mortes por milhão por habitante, o Brasil aparece em 6o do mundo.

Estamos em processo de reabertura, e este editorial é muito mais um alerta do que qualquer outra coisa. Todos queremos o retorno por completo, mas ele precisa ser feito de forma progressiva, cheia de protocolos e de forma pontual. Esta abordagem já destaquei aqui anteriormente, e desta vez volto para uma série de fatos que precisa ser relatado para entendermos que ainda estamos vivendo dentro de um processo longo, lento, e infelizmente doloroso.

Para isso, vou utilizar apenas o campo da natação, onde podemos identificar uma série de fatos ao redor do mundo que reforçam a necessidade do cuidado e atenção para esta fase.

Começamos pela Europa. São recordes diários de casos, números que superam o pico da doença entre março e abril. Em uma semana, foram 13 nadadores da Seleção Italiana que testaram positivo. A FEDERNUOTO, Federação Italiana de Natação já determinou o cancelamento de um training camp que reuniria alguns dos principais atletas em Livigno, um centro de altitude.

Na Alemanha, onde também se vive recordes diários de casos, tivemos o cancelamento por completo do Campeonato Alemão Absoluto que seria no final deste mês em Berlim. Pior, o Campeonato Alemão Júnior, que seria em dezembro, também foi cancelado.

Austrália e Estados Unidos estão fazendo competições. Todas sem público, com reduzido número de participantes e cheia de protocolos. Os respectivos campeonatos nacionais serão disputados em novembro, na mesma data, e até em padrões similares. Enquanto a Austrália vai utilizar cinco piscinas, os Estados Unidos vai com nove, para o sistema multi sites, onde diferentes localidades, ao mesmo tempo, disputam as mesmas provas. A classificação acontece pós-competição, de forma virtual. A única diferença é que os australianos optaram por fazer as disputas em piscina curta, os americanos em piscina longa. Detalhe que restrições de vôos estão impostas as duas nações, assim somente poderão participar nadadores estrangeiros que já estiverem no país.

A Rússia me pareceu a exceção a tudo isso. Neste domingo, começa o Campeonato Nacional Absoluto em Kazan. São mais de 700 nadadores e vai ter público para a primeira competição que é válida para obtenção de índices para os Jogos Olímpicos desde o início da Pandemia. Vale lembrar que a Rússia vive recordes diários de casos consecutivamente desde 16 de setembro e recordes de mortes, por quatro vezes, nos últimos sete dias.

Na Ásia, onde tudo começou, ainda se vive restrições. Competições tem acontecido, mas seguindo o mesmo padrão restritivo. O Japão, local que no próximo ano recebe os Jogos Olímpicos, tem realizado semanalmente eventos. Poucos atletas, restrição de público. Na China, os eventos tem sido ainda mais restritos, e focados basicamente no alto rendimento.

Vivemos um momento de muitas incertezas na América do Sul. A CONSANAT ainda não confirma nenhuma data para nenhum Campeonato Sul-Americano que acontecerá em 2021. A entidade aguarda pela definição dos respectivos organizadores e até mesmo pela melhora da situação em nosso continente. São quatro países no Top 10 do mundo em número de casos do Coronavírus e cinco no Top 15.

A CADDA, Confederação Argentina de Desportos Aquáticos, prometeu para este mês uma confirmação da realização (ou não) do Sul-Americano Absoluto que deve acontecer no final de março e início de abril. Diferente do Brasil, a Argentina vive o pior momento de toda Pandemia.

O Sul-Americano Juvenil seria em abril de 2021, em Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia. Depois passou para outubro, agora corre o risco de passar para 2022. Isto porque já tivemos a mudança de outro torneio, os Jogos Bolivarianos da Juventude de outubro deste ano para 2021, também na Bolívia.

Aliás, se falarmos do calendário internacional de 2021, sendo bastante claro e explícito, estamos todos em compasso de espera e confirmação. Alguém se lembra que 2021 deveríamos ter Campeonato Mundial Júnior de Natação? A FINA não tem nem data, nem local, nem nada sobre o evento.

Analisando a situação internacional, e principalmente reconhecendo que vivemos um bom momento no país, a mensagem é direta. É hora de seguirmos tendo cuidados, seguindo todos os protocolos e que consigamos realmente vencer esta que é a maior adversidade de nossas vidas. Até o mundo da natação está nos mostrando isso.

Coach Alex Pussieldi, editor chefe Best Swimming

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