Um dos melhores documentários esportivos dos últimos anos. Pode conferir, mas se prepare. É emocionante, inspirador, e tocante. Para quem é sensível, como este que vos escreve, se prepare para chorar. Tem gente que fica apenas emocionado, outros sentem “cair um cisco”, e ainda os que desabam (eu!).

“Rising Phoenix” é o nome original para “Pódio para todos” no nome em português para o documentário que a Netflix lançou no final de semana. O filme é inglês tem a direção de Ian Bonhote e Peter Ettedgui e traz um retrospecto histórico do que realmente simboliza o esporte e o movimento paralímpico.

Uma obra que reconhece o quanto o médico polonês Sir Ludwig Guttmann, um sobrevivente do nazismo alemão, e que foi visionário no desenvolvimento do esporte para as pessoas com deficiência. O espírito era incluir aqueles sobreviventes da Segunda Grande Guerra Mundial, e a iniciativa se tornou num dos maiores eventos esportivos do planeta.

A russa naturalizada americana Tatyana McFadden é estrela do esporte paralímpico no paraciclismo e no filme é uma das produtoras. Uma visão de quem tem 16 medalhas nos Jogos e sete são de ouro. Aliás, o filme mostra toda a luta de um atleta com deficiência, valoriza as conquistas, mas dá um toque muito mais humano a todo este processo.

Particularmente, posso dizer que uma das melhores coisas que fiz em minha vida profissional foi trabalhar na cobertura dos Jogos Paralímpicos do Rio 2016. Ainda estive nas transmissões dos Jogos Para Pan Americanos de Lima e do Mundial Paralímpico, estes dois no ano passado.

Lembro muito bem quando fui escalado pela primeira vez para cobrir um evento paralímpico e, por iniciativa e por custos próprios, viajei para São Paulo, onde passei alguns dias convivendo com a Seleção Paralímpica. Muito mais que natação, o que talvez eu já saiba ou domine, ali aprendi e conheci histórias, muitas delas e todas de grande relevância e inspiração.
É o que penso do esporte paralímpico, ele é recheado de histórias. Acho maravilhoso que o Grupo Globo abra espaço nas suas coberturas para estas competições, mas identifico que existe muito mais perspectiva a ser apresentada. Não escondo que refuto a ideia do “heroi” ou “superação”, o famoso, “só estar aí já vale a pena”. Não gosto, aliás, nenhum deles gosta (pergunte a qualquer um para ter esta certeza).

O atleta paralímpico é um atleta de alto rendimento que busca o seu melhor, que comemora as conquistas e lamenta as derrotas. Vibra com seus recordes e se frustra com maus resultados. Por desconhecimento e até mesmo falta de cultura, muitas vezes recusamos que um atleta paralímpico possa vir a ser criticado por um resultado decepcionante. É o que eles mais querem! Ser tratados como qualquer outro atleta!

“Rising Phoenix” nos dá uma lição. Mostra que o mundo ainda está aprendendo com o movimento. Isso fica claro na evolução histórica que é apresentada com um resumo das últimas Paralimpíadas.

Aliás, um dos maiores legados do que o Rio 2016 nos trouxe foi a cultura do esporte paralímpico. Aumentou o número de pessoas com deficiência na prática esportiva, assim como crescimento visível nos movimentos de Paralimpíadas Escolares e o desenvolvimento da base.

Faltando pouco menos de um ano para os Jogos Paralímpicos Tóquio 2020, assistir o “Rising Phoenix” é programa obrigatório para quem ama o esporte, pode conferir e se prepare para chorar.

Coach Alex Pussieldi é editor chefe da Best Swimming Inc.

 

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