Se alguém apostou, ficou milionário. A canadense Maggie MacNeil foi, de longe, a maior zebra do Campeonato Mundial de Gwangju, e de toda a temporada da natação internacional. 

Não foi só uma vitória, mas uma medalha de ouro de uma nadadora que fazia sua primeira grande competição internacional, seu primeiro Mundial, sua primeira final de Mundial e tudo isso aos 19 anos de idade. 

Para deixar isso ainda mais expressivo, nadava contra Sarah Sjoestroem, a atual campeã olímpica e mundial, recordista olímpica e mundial e que havia feito o melhor tempo nas eliminatórias, na semifinal e ainda passou na frente de todo mundo na final. 

Vamos voltar no tempo, 26 de fevereiro de 2000, é a data de nascimento de Hannah Margareth McNair MacNeil. A cidade não é conhecida, Maggie nasceu na China, foi adotada por pais chineses ainda como bebê e viveu desde então na cidade de London, Ontario, no Canadá. 

Maggie, mesmo pequena e franzina, apenas 1,67 de altura, se destaca na natação desde a base. Foi integrante de seleções canadenses e participou de alguns torneios internacionais. Na seletiva olímpica do Rio 2016 ficou em sexto lugar na prova dos 100 borboleta. 

No ano passado, aos 18 anos de idade, Maggie ganhou o seu primeiro título nacional. Foi campeã dos 100 borboleta e vice nos 100 costas. Ganhou vaga no time que iria para o Pan Pacífico, mas optou por defender apenas a Seleção Júnior e iniciar a sua carreira universitária na Universidade de Michigan, nos Estados Unidos. 

Maggie é treinada por Richard Bishop, técnico integrante da comissão técnica de Michigan e que tem uma boa ligação com a natação brasileira. Ele era o treinador de Gabrielle Rose e fez parte da comissão técnica do Brasil nos Jogos Pan Americanos de 1995. 

Logo na sua primeira temporada universitária, Maggie fez sucesso e terminou o NCAA na segunda posição nas 100 jardas borboleta. Ainda ficou em quarto lugar nos 50 livre e sexton nos 100 costas. Na sequência, algumas semanas depois, venceu os 100 borboleta e ficou em quarto lugar nos 100 livre na Seletiva Canadense ganhando vaga para o time de Gwangju. 

No seu primeiro Mundial, Maggie chegou como quarta colocada na prova, balizada com 57.04. Nas eliminatórias, nadou na raia 5, ao lado de Sarah Sjoestroem. Fez o terceiro tempo e passou para a sua primeira semifinal com 57.10. Parciais de 26.72 e volta de 30.38. A “imbatível”  Sjoestroem fez o melhor tempo, 56.45. 

Na semifinal, Maggie novamente ao lado da sueca. Sjoestroem fez 56.29 e Maggie, pela primeira vez, quebrava a barreira do 57, fez 56.52, parcials de 26.76 e 29.76. 

 

No dia seguinte, dia 22 de julho de 2019, uma data inesquecível para Maggie. Sua primeira final e um resultado que ninguém esperava. Até mesmo pela forma como foi nadada. No parcial, Maggie virou em quinto com 26.77, lá na frente, Sjoestroem virava com 25.96, a única abaixo dos 26 segundos, 81 centésimos a frente de Maggie. 

A volta é que fez toda diferença. Enquanto Sjoestroem caía de rendimento a cada braçada, Maggie crescia como nunca. Sua volta foi mais de um segundo melhor do que todas as finalistas, fechou com 29.06 e venceu a prova com inacreditáveis 55.83, novo recorde das Américas. Sjoestroem era prata, depois de quatro títulos mundiais  e uma sequência de anos sem perder a prova, ficou em segundo com 56.22. 

Maggie MacNeil ainda ganhou outras duas medalhas no Mundial de Gwangju. Fechou o 4×100 livre medalha de bronze e fez o parcial do 4×100 medley, também outro bronze. Na volta ao Canadá, foi homenageada na cidade de London, recebida como heroína na sua escola. 

Talentosa, Maggie é produto de “várias mãos”.  Seu treinador de formação, Andrew Craven, ainda é consultado durante a temporada. Esteve várias vezes com Gary Hall Sr. na Flórida fazendo consultoria para correção técnica. Mas foi com Bishop que ganhou esta relevância internacional de destaque. 

Fora d’água, Maggie também é  talentosa na música. Toca violino desde os cinco anos de idade, clarinete desde os 12. Na Universidade de Michigan, ainda não decidiu qual será seu curso, mas tem tomado as cadeiras sempre na área de humanas. 

Sua surpreendente vitória no Mundial de Gwangju ganhou ainda outro destaque quando junto da sueca Sarah Sjoestroem e da australiana Emma Mckeon respectivamente medalhas de prata e bronze da prova,  decidiram fazer uma homenagem a Rikako Ikee, nadadora japonesa especialista na prova dos 100 borboleta e que ficou de fora do Mundial por conta de um cancer. As três escreveram mensagens em suas mãos para Ikee emocionando a todos ao redor do mundo. 

Veja a evolução de Maggie MacNeil nos 100 metros borboleta desde os 9 anos de idade:

 

TEMPO  IDADE ANO 
55.83 19 2019
58.38 18 2018
59.57 17 2017
59.84 16 2016
1:00.43 15 2015
1:02.05 14 2014
1:04.56 13 2013
1:06.09 12 2012
1:11.07 11 2011
1:17.18 10 2010
1:28.19 9 2009

Vídeo da prova de Maggie MacNeil campeã mundial em Gwangju:

Maggie MacNeil (photo: Jack Spitser)

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