Quando se fala de Pan-Americano de Lima e natação, dá para citar muita coisa.

Os dez ouros do Brasil, que igualaram as duas participações recorde do país – marca obtida também no Rio-2007 e em Toronto-2015.

As 30 medalhas no total, um recorde absoluto.

Superação de alguns, cansados depois do Mundial de Gwangju, na Coreia do Sul, três semanas antes.

Superação de outros, que não estiveram no Mundial, mas nadaram bem, como Fernanda de Goeij – a menina, de 18 anos, baixou tempos em praticamente todas as vezes em que caiu na água.

Participação discreta de mais alguns, talvez por cansaço, talvez por terem apenas nadado mal, talvez por desinteresse.

O tricampeonato de Leonardo de Deus nos 200m borboleta. Que marca. Que prova. Incrível.

A vitória de Leonardo Santos, o Cachorrão, nos 1500m livre. Feito que o Brasil não conquistava desde 1951, em Mar del Plata, com Tetsuo Okamoto. Precisa dizer mais?

O ouro de Bruno Fratus, nos 50m livre. Ou o de Marcelo Chierighini, nos 100m.

Teve Fernando Scheffer, João Gomes Jr., Etiene Medeiros, Larissa Oliveira.

A dobradinha das meninas na maratona aquática, com o ouro de Ana Marcela Cunha e o bronze de Viviane Jungblut – esta ainda repetiu o feito nos 800m livre, se tornando a única da história ao ir ao pódio no mar e na piscina.
Tudo isso aí, de fato, mais outras coisas, e corre-se sempre o risco de ser injusto com alguém, quando se nomeia tanta gente.

Mas não dá para falar de natação e Jogos Pan-Americanos de Lima sem citar um cara.

Nathan Adrian.

Aos 30 anos, como se sabe, o americano disputou o torneio depois de se recuperar de um câncer nos testículos.
Um câncer.

Fez questão de integrar a equipe americana no evento. Em parte, claro, porque era um bom retorno, num torneio interessante, um teste válido para ele.

Em parte, porque ama a natação.

Adrian não fez os melhores tempos da carreira. Longe disso.

Mas ganhou lá suas duas medalhas de ouro, em revezamentos, e três de prata, duas delas em provas individuais – 50m e 100m livre.

Em todos os pódios, uma coisa esteve sempre presente e marcante: o sorriso no rosto. O velocista demonstrou muita felicidade por estar ali. Fez brincadeiras, piadas, gesticulou.

Sem dúvida, foi responsável por uma das grandes histórias e alguns dos grandes momentos da competição.
Adrian, vale lembrar, é um dos melhores nadadores da história dos Estados Unidos. Tem oito medalhas olímpicas, sendo cinco de ouro. Tem 16 em Mundiais de longa, sendo dez de ouro.

Talvez nem precisasse se “expor” dessa maneira. Talvez, não. Ele não precisava. Mas, ainda assim, preferiu ficar lado a lado com a molecada do chamado “time C” americano que disputou o Pan.

É quase como se voltasse a ser o garoto que surgiu na universidade, com metas e sonhos, pensando em um dia viver tudo aquilo que, de fato, viveu.

Não é preciso ter convivido com Nathan Adrian para perceber o bom caráter que ele carrega. Para se contagiar com o bom humor dele. Para ter vontade de apertar a mão dele e parabenizá-lo pela maneira como conduz a carreira. Como conduz a vida.

Que sujeito, esse Nathan Adrian.

Coluna Na Raia por Plínio Rocha

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