Nunca foi, nunca será. Não se pode colocar a culpa em provas por algo que está por trás delas. Provas de 50 metros tem o mesmo valor e valem a mesma medalha nos Campeonatos Mundiais. Qualquer aferição de valor distinta disso, será injusta.

O problema é que nosso esporte é um esporte olímpico, vive em função do ciclo e do programa olímpico. Somos subvencionados pela verba pública, administrada e orientada pelo Comitê Olímpico do Brasil, focada nos resultados olímpicos.

Até mesmo os patrocinadores. A verba da iniciativa privada é pouca, mas ela sempre incha e aparece nos anos olímpicos. E o foco sempre são eles, aqueles que têm chances de nos trazer alguma medalha, olímpica!

O Brasil retorna do Mundial de Gwangju com cinco medalhas, o maior número que já conseguimos em Mundiais, igualamos o que conseguimos em 2013 e em 2017. Mesmo sem ouros, em total de medalhas, este é o máximo que já conseguimos.

De olho em Tóquio 2020, e olhando as campanhas de 5 medalhas em Mundiais, se faz necessária a relação com as provas olímpicas. Em 2013, nos cinco pódios da natação, quatro eram em provas olímpicas. Em 2017, dos cinco, duas. Desta vez, apenas uma.

Outra análise é identificar os medalhistas de ouro das provas de 50 metros do Mundial de Gwangju. Dos oito vencedores, apenas um, o sul-africano Zane Wadell foi lá só para nadar os 50 costas.

Os outros, Caeleb Dressel venceu os 50 e 100 livre e 50 e 100 borboleta, Simone Manuel venceu os 50 e 100 livre, Adam Peaty venceu os 50 e 100 peito, Lilly King venceu os 50 e 100 peito, Sarah Sjoestroem venceu os 50 borboleta e ficou em segundo nos 100, Olivia Smoliga venceu os 50 costas e ficou em terceiro nos 100.

Bruno Fratus, vice campeão dos 50 livre, não nadou os 100 , mas foi o melhor parcial brasileiro do revezamento 4×100 livre na final.

Felipe Lima teve problemas com lesão na virilha e ficou nas eliminatórias dos 100 peito, enquanto que João Gomes chegou na semifinal da prova.

Etiene Medeiros até foi inscrita para os 100 costas, mas por opção técnica, decidiu focar nas provas de 50 metros, e vai nadar a distância olímpica no Pan de LIma.

E Nicholas Santos, este aos 39 anos de idade, ganhou a vaga para o Mundial graças as suas performances na prova dos 50 borboleta a convite da FINA. Para Tóquio, Nicholas até fala em mudar o foco e tentar uma vaga nos 50 livre.

Não é tão fácil apontar a razão para o sucesso do Brasil nas provas de 50 metros e principalmente na relação do não sucesso nas provas de 100 metros. O que vimos neste Mundial é resultado de anos de trabalho e programas que valorizaram estas distâncias dentro do cenário nacional.

A mudança para o foco nas provas olímpicas é algo que ainda está em processo e mesmo assim ainda existem vozes que sustentam a importância de se manter aberto a linha dos 50 metros nos estilos.

O Brasil ainda é um dos poucos países do mundo que mantém a disputa das provas de 50 metros nos estilos em dois de seus campeonatos nacionais (eram três).

Desde 2017, um processo se iniciou minimizando isso, retirando os prêmios de índice técnico, retirada de critérios de convocação e outras medidas, mas isso é um processo.

Todos queremos o Brasil brilhando e sempre vamos valorizar nossas medalhas, quaisquer que sejam as provas. Entretanto, quando se fala em administração e planejamento de um programa nacional, existem valores e princípios que devem ser observados.

Se há algo que nenhum de nós quer e sabe que vai ser extremamente doloroso é passar mais um ciclo olímpico sem subir ao pódio. Não podemos repetir em 2020 a dor e o sentimento que tivemos no Rio 2016.

Por Alexandre Pussieldi, editor chefe Best Swimming.

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