Editorial: Os 4 na briga por 2 vagas e um sonho olímpico

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FABIOLA MOLINA

Allan do Carmo, Diogo Villarinho, Victor Hugo Colonese ou Fernando Ponte. São quatro nomes, quatro atletas, duas vagas, só duas. É o sonho de poder nadar uma Olimpíada que está em jogo nas quatro voltas de 2,5 quilômetros amanhã em Doha no Catar.

Estes quatro, brigam por duas vagas. Só duas. Os dois melhores brasileiros na prova ganham o direito de disputar os 10 quilômetros do Mundial de Gwangju e a mesma prova no Pan de Lima. O Pan é bom, mas todo mundo está de olho em disputar o Mundial.

A prova dos 10 K em Gwangju classifica os dez primeiros colocados para a Olimpíada de Tóquio. Se algum destes dois entrar no top 10, ou até mesmo os dois, passaporte olímpico carimbado. Se nenhum entrar, todo mundo volta para a briga para uma única vaga na seletiva olímpica do próximo ano.

Assim, o sonho de poder estar na Olimpíada nas águas abertas pode ser iniciado para dois nadadores brasileiros amanhã e ser encerrado para todos os outros.

Allan é o mais veterano do grupo, tem 29 anos, e se classificar chega ao seu 10o Campeonato Mundial. O mais jovem é Fernando, tem 24, mas como todos os outros também já nadou Mundial.

Allan e Victor são baianos, Fernando é gaúcho, Diogo é goiano. Todos estão animados e confiantes para a prova. Estão em Doha acompanhados de seus treinadores, a vaga vale muito.

É sabido que as águas abertas masculina do Brasil ainda não conseguiram o mesmo nível de resultado que o feminino. O esporte é olímpico desde 2008 e até ficamos sem nadadores entre os homens em 2012. Allan foi o nosso único representante em Beijing 2008 e no Rio 2016. Ainda um tanto distante do pódio.

Os resultados da temporada passada no circuito da FINA não foram muito animadores. Os quatro nadadores e seus técnicos sabem disso. Se não melhorarmos, a tendência é até assistir a prova olímpica de Tóquio 2020 pela TV.

Na disputa de amanhã, vão nadar contra 80 nadadores de todas partes do mundo. A prova deve ser forte e disputada. Assim como o Brasil, outros países também fazem as suas seletivas em Doha o que deixa esta briga ainda mais interessante.

As condições são boas, diria até ótimas. As águas do Golfo Pérsico são de pouca corrente e sem ondas. A temperatura perfeita, 20 graus, e nesta época, vivemos o “inverno catariano”, temperatura entre 22 a 24 graus.

O Brasil precisa melhorar nesta disputa. Não vai ser amanhã que vamos resolver o problema dos resultados brasileiros nas disputas internacionais das águas abertas masculina. Amanhã é dia de sabermos quem serão nossos dois representantes para o Mundial. A briga vai ser boa e difícil.

Sucesso e grande prova para vocês!

Alexandre Pussieldi, editor chefe da Best Swimming Inc.

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