Não escondo, eu amo os Jogos Pan Americanos! A competição é a “nossa competição”. É sempre bem organizada, promovida, e o Brasil sempre vai bem. Ganhamos e comemoramos muitas medalhas, muitas mesmo. Participando dos Jogos Olímpicos, em mais de 100 anos de história, a natação brasileira ganhou apenas 13 medalhas em 21 edições olímpicas. Se compararmos com o Pan, só no último, em Toronto 2015, foram 26 medalhas, o dobro.

O dobro que vale menos da metade, é verdade. Talvez este seja o nosso problema, sempre achamos que as campanhas do Pan nos credenciam para brilhar na Olimpíada. São dois mundos diferentes.

Trabalhar na cobertura do Pan é bom demais. Todo dia tem medalha, todo dia tem uma boa história. Lembro bem do ano de 2011, quando discutíamos no Davie Nadadores, nosso clube na Flórida, qual seria o programa para Felipe Lima, convocado para o Mundial de Shanghai e dois meses depois para o Pan.

Em conversa, relatei a Felipe que no Pan seria a oportunidade de ganhar uma medalha, de ser reconhecido, de ser valorizado, e em se tratando de natação profissional, poder lucrar um pouco em cima disso. Felipe foi prata em Guadalajara, desfilou em carro aberto em sua cidade natal, Cuiabá, e ganhou impulso para a sequência de sua carreira.

Também é importante saber diferenciar o nível de competição e exigência. Lembro do narrador Luiz Carlos Júnior do SporTV me perguntando ao final de nossa jornada em Toronto 2015, qual era a referência que isso dava para a campanha rumo aos Jogos Olímpicos de 2016 no Rio. Na mesma hora respondi: “uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa”.

Nem por isso o Pan deixa de ser importante. Não existe competição forte ou fraca, é você, nadador, que faz ela ser gigante ou patética. Foi no Pan de 2011 que Cesar Cielo fez a sua melhor marca pessoal pós-trajes nos 100 metros nado livre. Foi no Pan de 2015 que surgiu a americana Kelsi Worrell, hoje a melhor nadadora de 100 metros borboleta dos Estados Unidos.

Estou escrevendo sobre o Pan hoje não é por acaso. É que está começando o Campeonato Sul-Americano dos Esportes Aquáticos no Perú. Lá, a partir de hoje, os dois primeiros colocados no torneio de polo aquático, as três primeiras colocadas na prova de equipes e os cinco primeiros duetos do nado artístico, mais 20 saltadores, e oito primeiros colocados de cada sexo na maratona aquática vão se classificar para os Jogos Pan Americanos de Lima 2019.

A natação é a única que não garante nada no Sul-Americano. Embora a competição seja válida para obtenção de índices, o nível da natação brasileira está bem acima destas marcas. Todo o sistema de classificação dos 36 nadadores que estarão no Pan 2019 está restrito as provas finais do Troféu Brasil do próximo ano.

Assim, para os nadadores que estarão em Trujillo, para o Sul-Americano de Natação, só resta a mesma missão de sempre. Fazer a competição rápida, afinal é o nadador que faz ela rápida, lenta, gigante ou patética…

Coach Alex Pussieldi, editor chefe Best Swimming Inc.

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