Editorial: Direitos iguais, eu falei I-G-U-A-I-S!

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FABIOLA MOLINA

Vamos para o Troféu Brasil de Natação, maior competição da aquática nacional, três seleções sendo apuradas, a mais importante e desejada delas a que representará o Brasil no Pan Pacífico, em Tóquio, no Japão. Nos critérios da CBDA, 16 vagas, ou melhor 12, quatro do revezamento 4×100 metros nado livre masculino e os 12 melhores nadadores comparados ao ranking mundial de 2017, considerando apenas dois atletas por país.

O critério de seleção ainda determina apenas tempos de finais e não valem aberturas de revezamento. Seletiva única, como já havia sido utilizado desde o ano passado.

Olhando com atenção, sabe-se que as chances de alguma mulher entrar na equipe são difíceis, mas não impossíveis. No ano passado, tivemos critério semelhante para Budapeste, e apenas três conseguiram vaga no time do Brasil: Etiene Medeiros nos 50 metros nado livre, Manuella Lyrio nos 200 metros nado livre e Joanna Maranhão nos 400 metros medley.

Recebi alguns pedidos para abordar que as chances de colocarmos mulheres no time do Brasil estão cada vez mais difíceis e os critérios “tiram” as chances da natação feminina.

Acho que um apanhado histórico se faz necessário até para justificar o processo e principalmente as razões para chegarmos a tal critério. Não há dúvidas de que a natação feminina está abaixo da masculina em nível internacional, porém não é oferecendo mais vagas que vamos resolver este problema.

Ainda existe um pensamento arcaico e defasado de que nadador participando de grandes eventos ele “ganha experiência”. Experiência é produto de uma série de fatores, que preponderantemente vem da preparação adequada. Lembro de muitos nadadores que fizeram sua primeira Olimpíada ganhando a medalha de ouro. E não são poucos: Cesar Cielo, Kyle Chalmers, Missy Frankln, Ruta Meylutyte, Ian Thorpe, Anthony Ervin, Katie Ledecky, Adam Peaty, e por aí vamos.

Não precisa nem ir ao pódio. Joanna Maranhão, nossa maior nadadora olímpica, única nadadora brasileira com quatro participações nos jogos, teve o seu melhor resultado na estreia, em Atenas 2004, quando ficou em quinto lugar nos 400 metros medley.

Para termos um bom time feminino, viajar para o Mundial com “vagas extras” ou até mesmo tirando nadadores com melhor chance de resultado internacional, não vai resolver nosso problema.

Se fizermos uma análise crítica, nossas piores provas em nível internacional são os 200 metros costas e os 200 metros peito feminino. Se mandarmos as melhores nadadoras do Brasil nestas duas provas para o Pan Pacífico não estaremos contribuindo em nada para o desenvolvimento de eventos que carecem de um pouco mais de atenção e até mesmo treinamento de nossos atletas.

Lembro da era anos 80-90 quando o Brasil carecia de bons nadadores de peito no masculino. Tínhamos costas, tínhamos borboleta e sempre tivemos os velocistas de crawl. Faltavam os nadadores de peito.

O que se viu, foi uma mudança no conceito de treinamento no país. Treinadores estudaram, pesquisaram e mudaram os trabalhos em seus clubes. Nadadores de peito passaram a ter programas em separado, trabalhos específicos e iniciamos uma nova fase do estilo no país. Primeiro com Allan Pessotti em belo trabalho do “Baixinho”, Luis Antonio no Álvares Cabral. Depois foi Eduardo Fischer em fantástico trabalho do treinador Ricardo Carvalho no Joinville Tênis Clube.

Os dois foram precursores da mudança do treinamento, da especificidade que ganhou a revolução com Arilson Soares da Silva no Pinheiros mais recentemente. Hoje, o peito está com nadadores bem ranqueados há várias temporadas, nos deu finais olímpicas, medalhas em Mundiais e até recordes mundiais.

As meninas que querem lugar na Seleção, vão ter de trabalhar. Vão ter de buscar na água seu espaço. Não vai ser um sistema de cotas que resolverá o atual quadro. Talento nós temos, precisamos é trabalhar.

Por Alexandre A. Pussieldi, editor chefe Best Swimming

8 Comentários

  1. Discordo. Você citou um monte de nadadores, mas o único brasileiro que ganhou medalha em sua primeira olimpíada foi o Cielo, que treinava fora e teve change de competir em alto nível nos EUA. Que motivação têm as garotas indo para uma competição com chance praticamente nula de conseguir uma vaga? Que não seja meio a meio, mas pelo menos algumas vagas destinadas ao time feminino, por exemplo, a sugestão do Jair.

  2. Se tiver dinheiro público envolvido, que levem apenas os melhores, independente de sexo! Senão vira passeio com dinheiro público.

  3. É isso aí,
    Critérios numéricos que eliminam qq dúvidas. Melhor que isso só com o tempo, por que além de transparentes (se estes critérios forem mantidos) se tornarão óbvios p todos.

  4. “Não vai ser um sistema de cotas que resolverá o atual quadro. Talento nós temos, precisamos é trabalhar.” Cabe muito bem em outros contextos!!

  5. Sim concordo com vc, mais também discordo pois forma uma seleção com os 12 melhores índice técnico no geral os homens levam 100% de vantagens sobre as mulheres, vc disse muito bem no último mundial tivemos três meninas e neste Pan, talvez não teremos nenhuma. Por causa do critério de escolha da seleção ( índice técnico), acho que a comoção técnica da seleção poderia criar uma nova maneira de selecionar a seleção brasileira, de 4 vagas para as meninas por índice técnico. Porque não levar os 4 melhores índice técnico feminino brasileiro.
    Um grande abraço.

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