Indianápolis vai sediar a 6a edição do Campeonato Mundial Júnior de Natação de 23 a 28 de agosto. São esperados 630 nadadores de 93 países. A Best Swimming apresenta aqui um histórico da competição.

Histórico do Mundial Júnior de natação da FINA

ANO LOCAL ATLETAS PAÍSES
2006 Rio de Janeiro 685 81
2008 Monterrey, México 480 61
2011 Lima, Perú 528 58
2013 Dubai, Emirados Árabes Unidos 650 85
2015 Singapura 700 87

 

HISTÓRICO DO MUNDIAL JUNIOR

2006, Rio de Janeiro


O direito de sediar o primeiro Mundial Júnior foi para quem criou a competição. Foi Coaracy Nunes, Presidente da CBDA, e membro do Bureau da FINA, que teve sua proposta aprovada na assembléia da entidade no Mundial de Montreal em 2005. A primeira edição teve um “boicote” da Austrália e uma Seleção Americana que depois de ameaçar em não participar enviou um forte grupo as vésperas da competição.

A idade dos atletas deste primeiro Mundial foi diferente das outras competições. O máximo era de 17 anos de idade, na época nascidos até 1989. Poucos dias antes do início da competição artigos de jornais denunciavam que a piscina do Parque Aquático Julio de Lamare tinha menos de 50 metros, coisa que nunca ficou provada e jamais respondida oficialmente pelos dirigentes.

Parque Aquatico Julio de Lamare I Mundial Junior de Natacao Gustavo Borges foi homenageado no primeiro dia de eliminatorias do Mundial Junior. O local onde os atletas assistem a competicao recebeu o nome de Tribuna Gustavo Borges Foto: Satiro Sodre
Parque Aquatico Julio de Lamare
I Mundial Junior de Natacao
Gustavo Borges foi homenageado no primeiro dia de eliminatorias do Mundial Junior. O local onde os atletas assistem a competicao recebeu o nome de Tribuna Gustavo Borges
Foto: Satiro Sodre
A Itália foi a grande vencedora da competição levando 17 medalhas sendo nove de ouro. Na borda, lá estava o já falecido Alberto Castagnetti, Head Coach da Seleção Principal Italiana, que acreditava na importância da renovação de valores para a sua equipe. Vários nomes revelados naquele Mundial chegaram ao time principal estando até hoje como Ilaria Bianchi, Michelle Santucci Damiano Lestingi e Damiano Lestingi.

Os americanos ficaram em segundo lugar com 14 medalhas sendo cinco de ouro e tiveram o melhor nadador da competição: Scott Flowers, o atual Tyler Clary que mudou de nome para homenagear seu pai adotivo. No Mundial, Clary venceu três medalhas, ouros nos 200 e 400 medley e mais um bronze nos 200 costas.

No lado feminino, bons nomes revelados também. A francesa CAmille Muffat apareceu como velocista, levou bronze nos 50 e 100 livre além de uma prata nos 200 medley. Mireia Belmonte da Espanha venceu os 400 livre e os 400 medley.

Ainda tivemos Caitlin Leverenz dos Estados Unidos, Jemma Lowe da Grã-Bretanha, Vitalina Simonova da Rússia, Anastasia Zueva da Rússia.

100 costas – Leonardo Guedes (56:43) em 2006
100 costas – Leonardo Guedes (56:43) em 2006
O Brasil teve uma boa participação, nosso melhor resultado na história da competição. Foram cinco medalhas, um ouro com Leonardo Guedes nos 50 costas, três pratas com o próprio Leo nos 100 costas, Candido Silva Jr. nos 50 borboleta e o revezamento 4×200 livre masculino, além de um bronze no 4×100 medley masculino.

Allan Silva, João de Lucca, José Rezende Neto, Marcelo Monteiro (7:37:36) em 2006
Allan Silva, João de Lucca, José Rezende Neto, Marcelo Monteiro (7:37:36) em 2006
O grupo brasileiro na época foi comandado por Fernando Vanzella e a mais jovem atleta da delegação, Ana Marcela Cunha de 14 anos, nadou apenas o revezamento 4×200 livre para viajar no dia seguinte para a Itália disputar o Mundial de Águas Abertas. Na época, Ana Marcela, mesmo jovem não escondia: “minha prioridade são as águas abertas”.

2008, Monterrey

Etiene Medeiros, a única medalhista no feminino – 50 costas – (29:44) em 2008
Etiene Medeiros, a única medalhista no feminino – 50 costas – (29:44) em 2008
A Universidade Autonoma de Nuevo León inaugurou o Centro Acuático Universitario em Monterrey semanas antes da segunda edição Mundial Júnior. Só esqueceram de colocar o ar condicionado. Menos mal que um teste evento foi realizado, a Olimpíada Nacional que indicou um calor infernal no local. Sem tempo, nem verba para ar condicionado, o complexo foi tomado por ventiladores gigantes que amenizavam o forte calor que se sentiu na competição.

Monterrey/Mexico, 08/07/08 II Campeonato Mundial Junior de Natacao Cerimonia de Abertura Foto: Satiro Sodre – Divulgacao CBDA
Monterrey/Mexico, 08/07/08
II Campeonato Mundial Junior de Natacao
Cerimonia de Abertura
Foto: Satiro Sodre – Divulgacao CBDA
O campeonato começou a ter diferença na idade máxima entre homens e mulheres, coisa que se mantém até hoje. Máximo para os homens 18 anos, 17 para as mulheres.

Disputado duas semanas antes dos Jogos de Beijing, tivemos alguns atletas que saíram diretamente de Monterrey para a Olimpíada como o russo Danilla Izotov, o neo-zelandês Orinoco Faamausilli e a fundista russa Elena Sokolova.

O time americano foi o vencedor com 21 medalhas sendo 9 de ouro, 8 delas no feminino. O único ouro entre os homens veio com Andrew Gemmell que na época nadava os 400 medley.

Dagny Knutson foi o grande nome do time americano com três vitórias individuais nos 200 livre, 200 e 400 medley e mais duas medalhas de ouro nos revezamentos, foram cinco de ouro.

Destaque dentro e fora d’água para o time da Nova Zelandia. Venceram cinco provas, Orinoco Faamausilli nos 50 livre, Kurt Basset nos 200 costas, e Daniel Bell nos 100 costas, 50 e 100 borboleta. Fora da piscina, o grupo animava todo o início de sessão com a apresentação do tradicional Haka ganhando o apoio do público.

4 x 100 livre masculino – Marcos Macedo, João de Lucca, Renner Lima, Henrique Rodrigues (3:22:81) em 2008
4 x 100 livre masculino – Marcos Macedo, João de Lucca, Renner Lima, Henrique Rodrigues (3:22:81) em 2008
Duas medalhas para o Brasil, uma prata com Etiene Medeiros nos 50 costas e o revezamento 4×100 livre com Marcos Macedo, João de Lucca, Renner Lima e Henrique Rodrigues foram bronze.

Nascia em Monterrey um grupo de velocistas italianos que hoje está na equipe principal. Luca Dotto foi ouro nos 100 livre e prata nos 50 livre, Luca Leonardi prata nos 100 livre e bronze nos 50. Os dois, juntos com Marco Orsi, integraram o revezamento 4×100 livre que venceu a prova com recorde de campeonato.

2011, Lima

Imagem do Sul-Americano Juvenil de 2011 piscina aberta
Imagem do Sul-Americano Juvenil de 2011 piscina aberta
Com a criação dos Jogos Olímpicos da Juventude em 2010, a FINA decidiu alterar a disputa do Mundial Júnior para 2011 no Campo de Marte, em Lima, no Perú. A antiga piscina recebeu uma cobertura e um grande esforço da comunidade para o primeiro evento FINA no país.

Os americanos voltaram a brilhar, 22 medalhas, metade delas de ouro, mas uma equipe também chegou forte, o Japão com 19 medalhas sendo 7 de ouro. No time americano nomes como Ryan Murphy, Nic Fink, Chase Kalisz, Lia Neal e Simone Manuel. Entre os japoneses, Kosuke Hagino foi campeão dos 200 medley, prata nos 200 costas e bronze nos 100 costas. Outro destaque da equipe japonesa, campeã dos 200 peito com 2:25.52 Kanako Watanabe.

Muitos nomes de destaque que hoje estão nas equipes principais de seu país. A Austrália mandou um grupo bem reduzido, mas vitorioso com Cameron McEvoy campeão dos 50 e 100 livre, Bronte Campbell vencedora dos 50 livre e Bonnie Macdonald nos 800 livre.

Arthur Mendes bronze nos 100 borboleta
Arthur Mendes bronze nos 100 borboleta
O nadador que mais vezes caiu na água para o Brasil foi quem trouxe a única medalha. Arthur Mendes foi bronze nos 100 borboleta com 53.96 quebrando os 54 segundos pela primeira vez.

A competição foi disputada semanas depois do Mundial de Shanghai e o italiano Gregorio Paltrinieri esteve nos dois. Em Lima, foi prata nos 1500 livre e bronze nos 800.

2013, Dubai

O Mundial de 2013 foi após o Mundial dos Esportes Aquáticos de Barcelona. Estava marcado para Casablanca no Marrocos, mas foi mudado de sede para os Emirados Árabes Unidos após problemas com a federação de natação do Marrocos. Diziam na época que o Presidente da entidade chegou a ser preso acusado de corrupção e desvio de dinheiro.

Com o glamour que só o Oriente Médio consegue, o Hamdan Sports Complex com seus 15 mil lugares estava vazio, mas a festa organizada pelo comitê local foi fantástica. Até camelo desfilou na festa de abertura da competição.

Com o desempenho de Mack Horton, campeão de quatro provas individuais da história da competição (200, 400, 800 e 1500 livre), a Austrália ganhou o título pela primeira vez somando 18 medalhas sendo 10 de ouro.

A Rússia ficou em segundo com 26 medalhas sendo 9 de ouro e os Estados Unidos em terceiro com 28 medalhas, também 9 de ouro, mas com uma prata a menos do que os russos. Na contagem da FINA por pontos, o time americano foi o vencedor.

Se Mack Horton foi o maior destaque no masculino, Ruta Meilutyte da Lituânia também venceu quatro provas individuais: 50 livre, 50 e 100 peito, 200 medley.

A competição teve a inclusão das provas mistas do 4×100 livre vencida pela Austrália e do 4×100 medley pela Rússia.

Outro nome que veio direto do Mundial de Barcelona foi o britânico James Guy, quinto colocado nos 400 livre do Mundial Absoluto, ficou em segundo nos 200 e 400 livre em Dubai.

Com um bom número de finais, o Brasil ganhou apenas uma medalha com Pedro Vieira e repetindo 2011, nos 100 borboleta, desta vez de prata com 53.17. Pedro estava na frente, mas bobeou na chegada perdendo o ouro para o japonês Takaya Yasue que lhe bateu por 16 centésimos.

2015, Singapura

Campeonato Mundial de Natacao no OCBC Aquatic Centre. 21 de agosto de 2015, Singapura. Foto: Satiro Sodre/SSPress
Campeonato Mundial de Natacao no OCBC Aquatic Centre. 21 de agosto de 2015, Singapura. Foto: Satiro Sodre/SSPress
A melhor campanha do Brasil em provas individuais nos Mundiais Júniors. Foram quatro medalhas, todas em provas individuais e todas em provas olímpicas.

O Brasil teve um ouro com Brandonn Almeida nos 1500 livre (15:15.88), duas pratas com o próprio Brandonn nos 400 medley (4:17.06) e Vinicius Lanza nos 100 borboleta (52.88) e mais um bronze com Felipe Ribeiro Souza nos 100 livre (49.30).

Foi uma equipe mais reduzida em relação aos Mundiais anteriores, mas de uma qualidade maior.

Vinicius Lanza, Brandonn Almeida, Felipe Souza. Medalhistas do Campeonato Mundial Junior no Merlion Park. 31 de agosto de 2015, Cingapura. Foto: Satiro Sodre/SSPress
Vinicius Lanza, Brandonn Almeida, Felipe Souza. Medalhistas do Campeonato Mundial Junior no Merlion Park. 31 de agosto de 2015, Cingapura. Foto: Satiro Sodre/SSPress
Austrália e a fantástica performance de Kyle Chalmers foi a grande vencedora com 19 medalhas, sendo 9 de ouro. Chalmers foi campeão dos 50 e 100 livre, mais quatro medalhas de revezamentos, terminando com seis medalhas, o maior medalhista da competição.

O russo Anton Chupkov, medalhista de bronze nos Jogos do Rio 2016 na prova dos 200 peito, foi o campeão dos 100 e 200 peito.

Entre as mulheres, o destaque foram as canadenses, Penny Oleksiak e Taylor Ruck que um ano depois estariam na Seleção Principal do país e ganhando medalhas no Rio 2016.

2017, Indianápolis

O Mundial Júnior de 2017 seria em Budapeste, na Hungria. Seria a competição que iria inaugurar a Duna Arena, porém com a desistência de Guadalajara, no México, em organizar o Mundial dos Esportes Aquáticos, Budapeste cedeu a competição deste ano para sediar o próximo Mundial, 2019. Indianápolis, nos Estados Unidos, foi indicada no ano passado para receber o torneio.

 

 

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