A FINA irá se reunir, como já ocorre em outros campeonatos mundiais, em Budapeste, em julho deste ano, para debater e votar as alterações nas atuais regras de natação propostas por federações nacionais e pelo próprio comitê de arbitragem da FINA: é o Congresso Técnico da FINA que também discutirá sobre eventos, a nova modalidade (de nado sincronizado para natação artística) e outros assuntos que regulam as modalidades aquáticas no mundo.

A discussão, aliás, já começou e já circula entre os árbitros do quadro internacional um documento incluindo o que o comitê técnico de natação da entidade recomenda ou não.

Apenas Estados Unidos e Holanda enviaram propostas de alteração/atualização das regras de natação até agora. Grécia ainda enviou uma proposta que trata sobre as exigências de uma piscina de lazer e também da piscina temporária, o que muito provavelmente será rejeitada porque o livro de regras trata apenas das dimensões de uma piscina utilizada para competições e não deverá estipular medidas para uma piscina de lazer (que pode ser uma piscina usada em escolas ou academias, por exemplo).

São duas alterações na regra que poderão se concretizar em julho e que destacamos. A primeira delas, enviada pela USA Swimming, é com relação ao problema que houve com Ryan Lochte na prova de 200 medley no Campeonato Mundial de Kazan, em 2015 na Rússia. O atleta norte-americano tocou com as duas mãos na parede na virada do peito para o livre, normal, mas ao deixar a parede, ele estava ondulando de costas quando quebrou a superfície d’água novamente de frente:

https://youtu.be/_0chtVhd6fs?t=1m54s

Foram algumas discussões acerca da legalidade da ondulação na posição de costas, mas Lochte não foi desclassificado. No entanto, a FINA ficou de olho depois disso e nos Jogos Olímpicos Rio 2016 não vimos coisa similar.

A proposta é adicionar ao texto SW 9.1 que no nado medley, na virada de peito para livre, o nadador pode deixar a parede na posição de costas sim, mas deve voltar à posição ventral antes de qualquer pernada ou braçada:

“In executing a turn for the freestyle portion of medley swimming (individual medley or within the medley relay), a swimmer may leave the wall on the back but must be toward the breast before any kick or stroke”

Isso acaba com a chamada “virada Lochte” que alguns atletas chegaram a treinar para ganhar centésimos preciosos.

E a outra importante alteração é com relação à homologação de recordes mundiais, deixando claramente que só serão aceitos tempos como marcas mundiais obtidas automaticamente, isto é, sem interferência humana (uso apenas do placar eletrônico por completo na prova).

A alteração na regra do medley é recomendada pelo comitê técnico de natação da FINA, enquanto que a alteração para exigir que os tempos que são recordes mundiais sejam apenas obtidos na cronometragem automática não é recomendada.

Outras alterações/atualizações sugeridas:

  • Inspetor de volta/juiz de virada deve observar a virada do nadador a partir da última braçada executada antes do toque na parede até a primeira segunda braçada executada após sair da parede;
  • Juiz de nado pode julgar também se numa prova de revezamento ocorreu uma largada falsa (o nadador em cima do bloco saiu totalmente do bloco antes do toque final do nadador que chega);
  • No nado de peito e borboleta, clarificar que o ombro mais superior não pode ficar mais que 90 graus da linha horizontal d’água, além do corpo permanecer sempre em posição ventral, nunca de costas.

Publicado originalmente em Regras de Natação

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