Caros leitores, a natação brasileira vive um momento de transformação, mas de maneira negativa. Em meio às investigações do Ministério Púbico na Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA) – que resultaram na suspensão da atual gestão – e ao processo de reeleição na entidade, a natação, infelizmente, voltou a ser pauta nas últimas semanas. As notícias não citam os atletas brasileiros que investem nas suas carreiras, nem os outros que buscam o sucesso em universidade nos EUA, e muito menos a preparação deles para o Mundial de Curta. O cenário desfavorável se torna ainda mais nebuloso quando lemos que os Correios devem mudar a política de patrocínio esportivo, reduzindo os valores para a entidade.

Em meio a crise financeira que o país está passando, o corte nos patrocínios esportivos era previsível. A CBDA não é a única que está passando por isso, até federações que tiveram resultados expressivos no Rio 2016 terão cortes como é o caso do vôlei.

Mas o que isso significa para nós atletas? A realidade é que a maioria não está preparada para viver um momento de crise esportiva. Esse próximo ciclo olímpico será bem diferente do último em termos de dinheiro investido no esporte. Os clubes não terão mais a mesma verba disponível e muito menos as Confederações. Porém não acredito ser uma coisa ruim para o nosso esporte, pelo contrario, a redução nos custos pode acelerar o processo de uma gestão mais séria e cuidadosa. Teremos que ser mais dinâmicos, reinventando maneiras para com menos dinheiro conseguir resultados melhores.

Acredite ou não, os nadadores brasileiros são os mais bem pagos do mundo. Atletas de seleção chegam a ganhar na casa dos dois dígitos – algo comparado a um jogador de futebol da Série C. O valor é ótimo, mas temos que mudar o jeito de fazer esporte. Claro que gostaria que nadadores chegassem ao nível de salários como os do vôlei, cerca de R$ 100 mil reais, porém nossa realidade em termos de resultados é outra. A solução não está no dinheiro ou no patrocínio, e sim na maneira como conduzir a verba que tem.

Aqui aponto uma solução contando uma história.

O campeão olímpico Cesar Cielo, logo depois da conquista inédita da medalha de ouro, disse que houve um corte de patrocínio para ele em 2006 e dos gastos que teve em sua preparação. A realidade foi a ida de Cesar para a universidade de Auburn, possibilitando que ele tivesse uma preparação de ponta sem ter muita preocupação. O investimento que a CBDA teve com o atleta foi muito pequeno e o resultado foi surpreendente. Claro, que isso não significa que o investimento foi certo ou errado, mas quando se tem uma estrutura, com profissionais sérios, voltada 100 % ao atleta as coisas fluem. O investimento alto necessariamente não significa bons resultados.

Se o clube oferece moradia, uma alimentação adequada, bolsa de estudos, material, estrutura, profissionais, e ajuda de custo, acredito que tiraria muitas preocupações do atleta oferecendo uma tranquilidade para que ele consiga evoluir no esporte. Muitos atletas estão receosos quanto ao novo ciclo olímpico. Qual o rumo que o nosso esporte vai tomar depois de cortes na verba esportiva. Muitos se preocupam, mas eu acredito que vai ser benéfico, pois seremos forçados a evoluir nossa gestão esportiva para que com uma verba relativamente menor o progresso da natação brasileira continue.

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