Etiene Medeiros testou positivo em exame surpresa da ABCD – Associação Brasileira de Controle de Dopagem realizado no dia 8 de maio. Ontem, a contra-prova confirmou a presença da mesma substância Fenoterol, um anti-asmático.

Até a publicação deste post, a CBDA ainda não oficializou o resultado, mas o Dr. Marcelo Franklin, advogado da entidade, já confirmou que está responsável pela defesa da atleta. Franklin é o mesmo advogado que defendeu Cesar Cielo, Nicholas Santos, Henrique Barbosa e Vinicius Waked em 2011 as vésperas do Mundial de Shanghai junto ao CAS/TAS onde os atletas, com exceção de Waked, receberam apenas avertência.

Ele também esteve a frente do caso de João Luiz Gomes Jr. que testou positivo para diurético, mesma substância do caso anterior, na disputa do Mundial de Piscina Curta em Doha, no Catar. João Luiz foi suspenso por seis meses, punição considerada branda, mas o melhor da sua defesa foi ter conseguido manter os resultados dos revezamentos 4×50 e 4×100 medley campeões mundiais onde João Luiz havia nadado nas eliminatórias.

Ontem, com a confirmação contraprova apresentando na amostra B o mesmo resultado da amostra A, o caso será agora encaminhado para um Painel de Doping. Pela estratégia de defesa, os detalhes do caso tem sido mantido sob sigilo até a realização do mesmo.

Etiene Medeiros é asmática e faz parte do grupo de atletas de elite do Brasil que é acompanhado nos testes surpresas da FINA/WADA além da responsabilidade de manter atualizada a sua agenda de viagens, competições e viagens junto a WADA. Neste processo, também é responsabilidade da atleta indicar quais medicações a mesma utiliza sob prescrição médica.

12 respostas
  1. José Luiz
    José Luiz says:

    As pessoas falam sem saber quantos atletas são punidos injustamente. Alguns sequer têm dinheiro para se defender e mesmo inocentes são expulsos do esporte. A máquina de testes para urina hoje detecta até pensamento e o atleta tem que fazer prova quase impossível de inocência. O brasileiro é um povo mal por natureza que julga sem ouvir a defesa e adora a desgraça alheia.

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  2. Lucio
    Lucio says:

    Dificil, mais uma vez, ver a imprensa brasileira tentando defender ou explicar o exame positivo.

    Nao sei se ela tentou trapacear ou nao. Sinceramente, para mim, pouco importa.

    Porem, mais uma vez, o Brazil continua um dos lideres em casos do doping.

    Dane-se que ela tem uma advogado bom, que ja defendeu outros casos de doping. A midia foca em coisas particularmente irrelevantes nesse momento.

    Poderiamos focar em querer combater o doping, ou instruir melhor os atletas. Mas nao. Os comentarios nesse site, em sua maioria, tem sido no estilo “o que vamos fazer pra ela nadar as olimpiadas?”. Assim deixamos nossos atletas a vontade para “pushing the envelope” no futuro.

    Coach, com todo respeito, o seu comentario no video Pool Party sugerindo que talvez deveriamos dar um mes para ela de suspensao para nao correr o risco do caso ir ate a FINA e’ simplesmente complacente com essa cultura de doping.

    Craig Lord e’ muito chato em varios aspectos. Mas nesse esquema de doping, estou sempre com ele.

    E la vamos nos comemorar mais uma absolvicao de caso positivo em algumas semanas….

    (e depois ainda criticamos a justica brasileira por nao ser “tough enough”)

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    • Alex Pussieldi
      Alex Pussieldi says:

      Lucio,

      Respeito sua opinião, como também respeito demais o amigo e companheiro Craig Lord.

      Com relação ao meu posicionamento, um doping de uma substância proibida no corpo de um nadador é uma coisa, uma substância de um remédio para asma no corpo de um nadador asmático é outra coisa. Isso é fato. É notório que foi uma crise asmática que foi necessário o atendimento de algo mais adequado.

      A minha opinião é de que houve um erro, não sabemos de quem foi a culpa, mas todos sabemos que a responsabilidade é única e exclusivamente da atleta.

      Meu comentário referente ao caso é baseado em minha experiência. A defesa deve trabalhar em cima da integridade física da nadadora, e por isso a pena deve ser mínima. Entretanto, pela verdadeira crise mundial que se vive no mundo do esporte hoje, uma absolvição ou advertência deve ter uma demanda ou contestação da FINA, apenas isso. Se Etiene for punida vai ser um castigo pela não comunicação da ingestão da substância, e não um doping configurado.

      Sobre o excepcional jornalista Craig Lord que faz uma verdadeira campanha mundial conta o doping tenho algumas restrições principalmente na forma em que ele trata os atletas que testam positivo. Temos uma lei anti-dopagem, um código e devemos respeitar este sistema. Na medida em que o atleta é punido, cumpre sua pena, ele está de volta ao sistema como qualquer outro atleta. Marcar um atleta com um asterisco ao lado de seu nome para mim é punir diariamente e eternamente alguém que já cumpriu e já pagou sua pena determinada pela lei. É como se você cometesse qualquer crime, fosse para a prisão, cumprisse 10, 15, 20 anos, voltasse as ruas e tivesse que carregar um crachá indicando que tipo de criminoso você é ou foi.

      Como lhe expus acima, meu posicionamento é em cima de um caso específico, no qual, para mim, fica configurada a ingestão de uma medicação específica para alguém que já tem um problema clínico. Diferente dos inúmeros casos de doping do Brasil onde tivemos atletas que não sabiam explicar como tal substância havia sido ingerida ou estava em seu organismo.

      Abraços.

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    • Luiz
      Luiz says:

      A moça tem asma e tomou um medicamento em carater de urgência. Ela não se “dopou” pra tirar alguma vantagem competitiva, haja visto o teste foi feito fora de competições. Em direito existe um conceito chamado “presunção de inocência”, por isso discorde de você. Acho que você esta julgando entes do julgamento.

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      • Lucio
        Lucio says:

        Amigos,

        Obrigado pelas respostas. Tenho muitas coisas a falar, entao vamos por partes.

        Luiz, voce nao entendeu meu ponto. Nao estava focado na “moca”. E sim no problema sistematico de doping no Brasil. Outra coisa, mesmo se eu tivesse focado na “moca”, ela foi pega no exame. Flagrante. Agora se ela quis trapacear ou nao, essa e’ outra historia.

        Com relacao aos pontos do Coach. Tambem respeito a opiniao. Acho que o meu maior argumento, e provavelmente nao fui claro, e’ que deveriamos focar as discussoes no problema sistematico de doping que temos no pais. Temos 1 ou 2 problemas: os nossos atletas sempre querem trapacear e/ou falta informacao aos nossos atletas.

        Volto ao meu ponto inicial. Independente do fato dela ter ou nao desejado trapacear, temos um problema. Estamos constantemente sendo um dos lideres de casos positivos no mundo. E eu esperava que pessoas com influencia na midia como o Coach (e falo isso com respeito ao seu trabalho e dedicacao ao esporte) lutassem um pouco mais contra o doping. Mas toda vez que temos um caso positivo, as discussoes se voltam ao que fazer para salvar o atleta, e nao como combater esse problema.

        Com relacao ao Craig Lord, entendo o argumento. Os asteriscos sao um pouco “annoying”. Mas discordo 100% da analogia do “cracha”. Cielo, por exemplo, nunca “foi para a prisao”. Entao voce acha justo que ele tenha sido absolvido sem nenhuma punicao, e ainda nao pode ter esse “asterisco” ao lado do seu nome? Nao preciso que responda, porque respeito seu relacionamento com ele e sua familia.

        Na grande maioria das vezes, o Craig se posiciona contra casos como esse (Sun Yang, etc) aonde nao houve (ou praticamente nao houve) punicao. E isso e’ que eu concordo. Realmente, se uma pessoa foi pega no doping, recebeu uma punicao severa, e hoje esta de volta, talvez nao precisamos do * ao seu lado.

        Acho que ja martelei demais na tecla. Mas sera mais produtivo para todos quando engajarmos na discussao de como combater esse problema sistematico no pais, e nao como livrar o nadador a 1 mes antes da competicao (Cielo, Nicolas, Etiene, etc).

        Imagine se tivesses punicoes severas todas as vezes? Sera se o numero de casos positivos diminuiria?

        Abracos.

        Responder
        • Alex Pussieldi
          Alex Pussieldi says:

          Lucio,
          A discussão é boa, e importantíssima.
          Acho fundamnetal que se esclareça um ponto significativo. Não existe “doping sistêmico” no Brasil. Isso só se configuraria se tivéssemos um sistema de doping, seja oficial através de uma federação, ou um clube, uma clínica especializada nisso. O que temos é a “suplementação mercadológica” disseminada em todos os níveis. Com a experiência e oportunidade profissional que tive, não conheço país no mundo onde nadadores de todos os níveis se “suplementem” tanto quanto os brasileiros. Esta suplementação abre um espaço e uma oportunidade para os conhecidos casos de contaminação cruzada, onde mais de 50% dos casos de doping da nossa natação foram indicados.

          O caso de Etiene Medeiros é distinto. É a utilização de um remédio específico para asma, proibido e que não poderia ter sido consumido. Não sabemos de quem foi a culpa pelo uso do mesmo, mas sabemos de quem é a responsabilidade.

          Sempre fui, sempre serei contra o doping, e também sou contra a suplementação tresloucada que vivemos, mas consegui identificar a distinção deste caso. Até acredito que Etiene possa vir a ser punida, e como disse antes, seria pela negligência ou não cumprimento da regra ao utilizar o medicamento, mas jamais com a intenção de ganho e/ou benefício de performance, coisa que faz diferença para a regra e sua aplicação.

          Por fim, existe uma regulamentação de doping internacional. Um código, uma lista de substâncias proibidas, tribunais e decisões a serem seguidas. Cesar Cielo como qualquer outro atleta que infringiu a regra foi submetido a isso e recebeu a sua punição. Não interessa a minha opinião, a sua, a da opinião pública, nem a de Craig Lord, está muito claro este tipo de procedimento. Portanto, ele cumpriu com seu erro, ao ter sido advertido conforme determinou o Painel de Doping da CBDA e posteriormente confirmado pelo Tribunal da Corte Suprema reunido extraordinariamente em Shanghai.

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          • Lucio
            Lucio says:

            Valeu pela discussao pessoal.

            Bom ponto da suplementacao. Realmente um grande problema no Brasil. Aqui nos EUA realmente nao vemos esse exagero, apesar da facilidade de acesso a varios tipos (GNC, bodybuilding.com, etc).

            Aguardemos a cenas dos proximos capitulos.

  3. Renato
    Renato says:

    Uma atleta do nivel dela, não ter autorização para usar esse remédio para asma e brincadeira, ganha tanto dinheiro e não tem ninguem para tomar conta disso, se ela toma o remédio, o porque de pedir a contra prova?

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    • Alex Pussieldi
      Alex Pussieldi says:

      Renato, é um procedimento padrão, para você contestar o resultado da amostra A, você precisa solicitar o resultado da amostra B. Ao aceitar apenas o resultado da amostra A, você assume o doping, é um procedimento padrão.

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