Na Raia: A Cesar o que é de Cesar

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Cesar Cielo. Trofeu Maria Lenk de Natacao, realizado no Centro Aquatico Olimpico. 14 de abril de 2016, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. Foto: Satiro Sodré/ SSPress
FABIOLA MOLINA

Por Plínio Rocha
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Cesar Cielo, certamente, um dia sonhou, quando moleque.

Sonhou em ser nadador.
Sonhou em ser um competidor.
Sonhou em estar em um clube grande.
Sonhou em nadar ao lado de ídolos.
Sonhou em ser campeão brasileiro.
Sonhou em ser campeão sul-americano.
Sonhou em ser campeão pan-americano.
Sonhou em ser campeão mundial.
Sonhou em ser bicampeão mundial.
Sonhou em ser tricampeão mundial.
Sonhou em bater um recorde mundial.
Sonhou em bater dois recordes mundiais.
Sonhou em ser medalhista olímpico.
Sonhou em ser campeão olímpico.
Sonhou em ser considerado o melhor nadador do mundo.
Sonhou em disputar uma Olimpíada em casa.

E você, caro leitor? Se você gosta de natação, não virou nadador e escolheu continuar acompanhando o esporte, com o que você sonhou? Para que torceu? O que esperou ver realizado pelas braçadas de um atleta brasileiro?

Certamente, você torceu para que alguém fizesse absolutamente tudo o que Cesar Cielo fez. Você buscou motivos para se considerar um vencedor através dos feitos de outra pessoa.

Você sonhou em ver um campeão brasileiro, depois sul-americano, pan-americano, mundial. Um bicampeão mundial, tricampeão, recordista mundial de uma, duas provas.

Depois, claro, um medalhista olímpico, um campeão olímpico, e que tal se esse mesmo sujeito fosse considerado o melhor do mundo? Demais, não!

Não existe absolutamente nada de errado nisso, que se diga. Esses caras, quando caem numa piscina, estão lutando por feitos pessoais, tentando alcançar marcas que façam deles alguém a ser lembrado, mas também, bem ou mal, estão representando outras milhões de pessoas que pararam para assisti-los na expectativa de vibrar com isso depois.

Gente como eu e você sonhou em ver Cesar Cielo fazer tudo o que ele fez. Foi legal, inesquecível.
Mas é acordado que temos de mostrar a ele todo o respeito que merece. Estar na Olimpíada do Rio era importante demais, mas não apaga ou diminui nem sequer um item daquela lista acima.

A Cesar o que é de Cesar.

Plínio Rocha é editor do Diário de S.Paulo e escreve a coluna Na Raia no Best Swimming desde 2007

2 Comentários

  1. A primeira vez que eu vi o Cielo foi na final do mundial de 2007. Ele nadou na raia 1 e chegou em quarto lugar, algo que me fez pensar imediatamente que aquele garoto poderia brilhar em Pequim.
    A segunda vez que vi Cielo foi no Pan, ele já não era um desconhecido para mim pois eu sabia que ele vinha brilhando no circuito universitário americano. Mesmo assim, aquele 21:84 na final dos 50 livre me fez pensar que ele não só poderia brilhar em Pequim, ele poderia vencer lá.
    A terceira vez que vi Cielo foi em Pequim e, para minha surpresa, a lembrança que tenho não é da final da prova dos 100 livre, quando ele conseguiu uma medalha de bronze. O que mais me impressionou foi a sua entrevista após a final dessa prova, já que ele com a voz embargada afirmou que venceria os 50 livre. Não era arrogância, era apenas um grande atleta com a consciência do que era capaz. Ele falou e fez, e eu fico feliz de lembrar de como foi incrível vê-lo vencer o primeiro ouro da natação brasileira dias depois.
    Infelizmente ele não nadará no Rio, talvez ele não nade uma outra Olimpíada, mas é certo que os seus fãs nunca irão esquecer os seus feitos e o seu caráter. Ave, César!

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