Você acha que é possível? Chegar a maior competição de natação do mundo no mesmo clube em que você foi revelado? Tudo isso sem treinar fora, estudar fora, treinando na mesma piscina e seguindo o mesmo programa?

São três dos 30 nadadores que irão representar o Brasil nos Jogos Olímpicos do Rio 2016, 10% do total, foram capazes de realizar o maior sonho de um atleta chegar a Olimpíada sem ter a necessidade de deixar o clube formador. Os três, Brandonn Pierry de Almeida, Gabriel Silva Santos e Miguel Leite Valente, pertencem respectivamente aos três principais clubes da natação brasileira Corinthians, Pinheiros e Minas Tênis Clube.

Trofeu Maria Lenk de Natacao, realizado no Centro Aquatico Olimpico. 20 de abril de 2016, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. Foto: Ricardo Sodré/ SSPress

Trofeu Maria Lenk de Natacao, realizado no Centro Aquatico Olimpico. 20 de abril de 2016, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. Foto: Ricardo Sodré/ SSPress

Um pouco da história de cada um deles, mostra que este sonho é possível. Os principais clubes do país têm estrutura suficiente capaz de formar um atleta desde a base e levar até o alto nível de performance.

Miguel Leite Valente é o mais velho dos três, 22 anos, Brandonn é o mais novo com 19 enquanto Gabriel completa 20 no próximo dia 4 de maio. Miguel foi o único federado na categoria Mirim, Corinthians e Pinheiros não federam seus mirins, participando apenas de festivais.

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Dos três, apenas Brandonn se manteve nas mesmas provas desde a sua revelação, 400 medley e 1500 livre sempre fizeram parte da sua carreira.

Miguel Leite Valente nadava peito, chegou a ser campeão brasileiro infantil dos 200 metros peito, depois chegou a Seleção Brasileira Júnior no Mundial da categoria em Lima, no Perú, em 2011 pelos 400 medley, sempre adorou os 400 livre, e “engoliu” os 1500 metros nado livre por indicação de seu atual treinador Eduardo Santos, o Dudu. E foi justamente nesta prova que chegou a condição de olímpico.

Miguel Valente. Trofeu Maria Lenk de Natacao, realizado no Centro Aquatico Olimpico. 20 de abril de 2016, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. Foto: Satiro Sodré/ SSPress

Miguel Valente. Trofeu Maria Lenk de Natacao, realizado no Centro Aquatico Olimpico. 20 de abril de 2016, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. Foto: Satiro Sodré/ SSPress

Quem mais mudou de prova foi Gabriel Silva Santos. Na base do Pinheiros, competindo no petiz, nadava peito, borboleta e medley. O borboleta foi a sua primeira medalha de paulista, a primeira vaga na Seleção do Chico Piscina e a primeira final de brasileiro. Porém, Gabriel só foi ser campeão brasileiro no nado livre.

Brandonn já era um petiz de destaque pelo Corinthians no seu primeiro ano de federado ,quando terminou o ano como segundo colocado do ranking nacional dos 400 metros nado livre com 4:52.84 em 2008. No Petiz II, no ano seguinte, Brandonn já era o líder com 17:49.03 participando do seu primeiro Brasileiro Infantil e chegando a final da prova.

Brandonn Almeida. Trofeu Maria Lenk de Natacao, realizado no Centro Aquatico Olimpico. 15 de abril de 2016, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. Foto: Satiro Sodré/ SSPress

Brandonn Almeida. Trofeu Maria Lenk de Natacao, realizado no Centro Aquatico Olimpico. 15 de abril de 2016, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. Foto: Satiro Sodré/ SSPress

O primeiro título nacional veio em 2010, e Brandonn não perdeu mais. Desde então, nunca perdeu uma prova de 1500 metros nado livre em campeonatos da sua categoria. Em 2013, era um dos mais jovens da Seleção Brasileira no Mundial Júnior de Dubai e chegou perto de fazer final ao terminar em nono lugar nos 400 livre. O ano de 2015 foi a temporada mais especial de sua carreira. O primeiro título nacional absoluto, o primeiro recorde brasileiro absoluto, o título panamericano nos 400 medley, o recorde mundial dos 400 medley júnior e o título de campeão mundial júnior nos 1500 livre. A vaga olímpica alcançada este ano não foi surpresa, apenas a realização de um trabalho programado e projetado com dois índices conquistados nas provas de 400 medley e 1500 livre.

Miguel Leite Valente explodiu no Maria Lenk de 2014 na piscina do Ibirapuera. Foi campeão brasileiro da arquibancada nos 1500 metros nado livre depois de nadar a série fraca e baixar mais de 20 segundos. Nunca tinha nem chegado a uma final de Maria Lenk e saiu daquela competição como campeão dos 800 e 1500 livre, prata nos 400 livre. O resultado lhe valeu a convocação para a primeira Seleção Absoluta e não fez feio no Sul-Americano de Mar del Plata na Argentina, onde foi campeão dos 400 livre, vice nos 800 e bronze nos 200 e 1500 livre. Depois deste ano mágico de 2014, Miguel não repetiu o mesmo brilho em 2015. No Maria Lenk deste ano, depois de fazer sua melhor marca pessoal na sua “prova preferida”, os 400 livre, ganhou confiança e foi com tudo para nadar a “prova de Dudu”, ganhando a vaga olímpica nos 1500.

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Maior melhora da Seleção Brasileira Olímpica, Gabriel Silva Santos chega a condição de olímpico numa carreira toda construída no Pinheiros. A troca de estilos e o início sem grandes brilhos, diferente de Brandonn e Miguel, Gabriel só foi ser campeão brasileiro na categoria júnior, e foi na prova dos 50 metros nado livre.

A primeira medalha de Brasileiro veio na categoria Juvenil, foi no Brasileiro de Verão de 2012 em Curitiba terminando em segundo lugar a prova dos 100 livre categoria Juvenil II com 51.88 atrás de Matheus Santana. O primeiro título de campeão brasileiro Gabriel só foi comemorar no ano passado, na sua última competição como Júnior II, na prova dos 50 livre do Julio de Lamare em Vitória com 22.44.

Gabriel chegou balizado para este Maria Lenk com 49.74 na prova dos 100 livre. Chegou a final com 48.89 e baixou novamente para 48.84 terminando na sexta colocação. A única final de Maria Lenk na sua carreira havia sido no ano passado, terminando em oitavo lugar na prova dos 50 borboleta.

Os resultados de Brandonn, Miguel e Gabriel comprovam que o trabalho de se promover, desenvolver e aprimorar um atleta num programa organizado, planejado e estruturado é possível. Mesmo que sejam apenas 10% do total dos 30 atletas convocados, foi bem mais barato e identifica muito mais mérito dos programas do que as constantes e repetidas contratações de atletas já desenvolvidos em outros clubes.

Nota da matéria:

Marcelo Chierighini só teve um clube como nadador federado, porém, ele treinou apenas alguns meses no Pinheiros. Sua formação foi com o treinador Felipe Dominguez antes de se transferir para Auburn onde treina até hoje com Brett Hawke.

3 respostas
  1. Valdemar Lima
    Valdemar Lima says:

    Coach, uma pequena correção o Brandonn também foi federado na categoria mirim, foi um dos poucos atleta, que o Corinthians federou na categoria mirim atletas nascidos em 97 e 98. Disputou o sudeste como mirim 1 e tb como mirim 2.

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  2. Valdemar Lima
    Valdemar Lima says:

    Coach, uma pequena correção o Brandonn também foi federado na categoria mirim, os poucos que o Corinthians federou na categoria mirim foram os atletas nascidos em 97 e 98.

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