100 costas feminino –

Etiene Medeiros.  Jogos Pan-americanos, Natacao no Aquatics Centre. 17 de julho de 2015, Toronto, Canada. Foto: Satiro Sodre/SSPress

Etiene Medeiros. Jogos Pan-americanos, Natacao no Aquatics Centre. 17 de julho de 2015, Toronto, Canada. Foto: Satiro Sodre/SSPress

História, história e história. Etiene Pires de Medeiros, pernambucana, 24 anos de idade, definitivamente nasceu para isso. Em 2013, no Mundial de Barcelona, foi quarta colocada nos 50 costas, a melhor colocação da história da natação brasileira em Mundiais de Piscina Longa.

No ano passado, se tornou na primeira nadadora brasileira medalhista em Mundiais de Curta, e a medalha veio do lugar mais alto do pódio, campeã e recordista mundial dos 50 costas.

Entramos nesta 17a edição dos Jogos Pan Americanos sem ter comemorado uma única medalha de ouro da natação feminina. São simplesmente 64 anos de história caindo na água, batendo na trave e sem nunca ter podido comemorar tal título. Não poderia ser outra nadadora senão ela a realizar esta façanha.

E foi de ponta a ponta com autoridade utilizando sua velocidade e a bela saída que fez muita diferença. Abriu em primeiro, bom submerso, passou na frente com 29.10, voltou com 30.51 para 59.61. Novo recorde sul-americano, primeira mulher da América do Sul a quebrar a barreira do minuto nos 100 costas, primeira dos Jogos Pan Americanos, uma barreira histórica e esperada.

Em junho de 2014, a Best Swimming produziu e publicou um especial, “O Projeto 59” está republicado desde ontem em reverência e homenagem a Etiene. Era uma matéria especial que tratava de história, de projeção, mas acima de tudo de confiança, pois era inadmissível ter uma nadador tão rápida nos 50 costas e que não fosse capaz de quebrar a barreira do minuto.

Etiene chegou a ser ameaçada na prova. Olivia Smoliga dos Estados Unidos chegou em segundo com 1:00.06, passou logo atrás de Etiene com 29.14 e a outra americana Clara Smiddy em terceiro com 1:00.49.

Na final B, a nadadora brasileira também tocou na frente, Natália de Luccas não repetiu o 1:01 que havia feito pela manhã, venceu a série terminando em nono lugar marcando 1:02.15 depois de 29.72 nos primeiros 50 metros.

100 costas masculino –

Guilherme Guido.  Jogos Pan-americanos, Natacao no Aquatics Centre. 17 de julho de 2015, Toronto, Canada. Foto: Satiro Sodre/SSPress

Guilherme Guido. Jogos Pan-americanos, Natacao no Aquatics Centre. 17 de julho de 2015, Toronto, Canada. Foto: Satiro Sodre/SSPress

Mesmo sem vencer, Guilherme Guido fez uma excelente prova e a prata veio bem especial marcada com 53.35, sétimo tempo do mundo, sua melhor marca sem trajes. Ficou em segundo desde a largada, perdeu para o americano Nick Thoman que quebrou o recorde panamericano de 53.66 de seu compatriota Randall Bal desde 2007 marcando 53.20, esta marca quinta melhor da temporada.
Uma prova bem disputada desde o início, com Thoman passando com 25.68, um décimo na frente de Guido. Na volta, esta diferenca de 10 centésimos aumentou para 15, mas esteve o tempo todo em acirrada disputa.
Mesmo também nadando para 53, Eugene Godsoe, o outro americano, bronze com 53.96, nunca esteve na briga pela liderança. Um resultado muito importante para Guido que faz a sua melhor marca pessoal e uma ajuda incrível para o revezamento 4×100 medley do Brasil.

400 livre feminino –
Não teve melhor exemplo de superação na competição do que este ouro que saiu para a canadense Emily Overholt. A jovem canadense de 17 anos, a mais nova da delegação do Canadá, e mais jovem finalista da prova, entrou na final A dos 400 livre com o oitavo tempo, por apenas oito centésimos não caiu na final B.
É a mesma Overlholt que no dia anterior viveu o drama de ganhar os 400 medley com novo recorde panamericano e ser desclassificada. Agora, nadou um 400 livre histórico onde nunca havia quebrado a barreira dos 4:10 e saiu como louca, num ritmo acelerado e impressionante. Passou forte desde o princípio com parciais de 59.60, 2:02.58, 3:06.31 e venceu com 4:08.42. Ela chegou a estar quase dois segundos a frente de todas as adversárias nesta estratégia alucinante e surpreendente.
A diferença era tão grande que a venezuelana Andreina Pinto, melhor tempo na carreira entre todas finalistas, esboçou uma reação, mas tarde demais. Levou a prata com 4:08.67, 25 centésimos atrás repetindo a mesma colocação alcançada em Guadalajara 2011. O bronze saiu para a americana Gillian Ryan com 4:09.46. Campeã da prova no último Pan, Ryan virou em quarto lugar nos 350 metros atrás da brasileira Manuella Lyrio, mas foi mais rápida no parcial final com 29.51 contra 30.99 da brasileira que terminou em quarto lugar com nova melhor marca pessoal de 4:10.92, novo recorde brasileiro. Gillian Ryan, a mesma que fechou o revezamento 4×200 livre feminino dos Estados Unidos, campeã da prova do dia anterior e se tornando na “carrasca” da natação feminina do Brasil neste Pan.
Manuella fez uma prova forte, arriscando com parciais de 1:00.78, 2:04.40, 3:08.40 e 4:10.92. O recorde brasileiro anterior era de 4:12.14.
Carolina Bilich, a outra brasileira da prova, ficou em sétimo lugar com 4:17.40, mantendo esta posição do início ao fim da prova.

400 livre masculino – 

Leonardo de Deus. Jogos Pan-americanos, Natacao no Aquatics Centre. 17 de julho de 2015, Toronto, Canada. Foto: Satiro Sodre/SSPress

Leonardo de Deus. Jogos Pan-americanos, Natacao no Aquatics Centre. 17 de julho de 2015, Toronto, Canada. Foto: Satiro Sodre/SSPress

Mesmo sem raspar, o único da competição, Ryan Cochrane não teve dificuldade para vencer os 400 livre. Dominou a prova desde o princípio e atacou na hora certa para garantir o ouro para o Canadá com 3:48.29, novo recorde pan-americano superando os 3:49.77 do americano Matt Patton em 2007 no Rio. Cochrane foi seguido pelo americano Ryan Feeley que fechou muito bem a prova e levou a prata com 3:49.69. Leo de Deus fez uma prova incrível, nadou grande parte dela nas três primeiras posições, principalmente até os 200 metros. Caiu no segundo parcial e chegou a virar nos 350 metros na quinta colocação. Muita raça, muito coração e uma técnica já totalmente comprometida marcaram os últimos 50 metros de Leo que fechou forte e conquistou o bronze com 3:50.30, um pouco fora do seu melhor, mas mostrando muita determinação e um espírito contagiante que lhe deu mais uma medalha na competição.

100 peito feminino –
O melhor desempenho do Pan não se repetiu. Katie Meili que havia vencido a eliminatória com 1:05.64, segundo melhor tempo do mundo em 2015, ainda venceu a prova, mas agora com 1:06.26. A americana foi apertada pela jamaicana Alia Atkinson que passou na frente com 30.81, um décimo na frente de Meili, mas a melhor técnica prevaleceu na volta. Meili ouro 1:06.26, prata para Atkinson 1:06.59 e bronze para a canadense Rachel Nicol com 1:07.91.
As brasileiras não repetiram os 1:08 que havia feito pela manhã. Beatriz Travalon terminou em sexto lugar com 1:09.23 passando com 32.27 e Jhennifer Alves Conceição foi desclassificada. Segundo a arbitragem cometeu o mesmo erro de Emily Overholt da virada do peito nos 400 medley, com toque alternado na virada dos 50 metros.

100 peito masculino –

Felipe Lima, Felipe Franca.  Jogos Pan-americanos, Natacao no Aquatics Centre. 17 de julho de 2015, Toronto, Canada. Foto: Satiro Sodre/SSPress

Felipe Lima, Felipe Franca. Jogos Pan-americanos, Natacao no Aquatics Centre. 17 de julho de 2015, Toronto, Canada. Foto: Satiro Sodre/SSPress

Dobradinha brasileira e conquistada de ponta a ponta, novo recorde panamericano e terceiro melhor tempo do mundo nos 100 metros nado peito para 59.21. O recorde era dele das eliminatórias com 59.84. Na prova, Felipe teve uma filipina perfeita com 27.41 e vcoltou com 31.80. Felipe Lima fez uma boa prova, pelo menos até um pouco mais da metade dela. Passou em segundo com 27.79 e parecia nadar a caminho de um bom 59, mas caiu no final e terminou em segundo com 1:00.01.
O bronze ficou para Richard Funk do Canadá, o mesmo que foi prata nos 200 peito, passou em quinto nos primeiros 50 metros mas teve uma boa volta para levar mais esta medalha com 1:00.29.

50 livre feminino –

Etiene Medeiros.  Jogos Pan-americanos, Natacao no Aquatics Centre. 17 de julho de 2015, Toronto, Canada. Foto: Satiro Sodre/SSPress

Etiene Medeiros. Jogos Pan-americanos, Natacao no Aquatics Centre. 17 de julho de 2015, Toronto, Canada. Foto: Satiro Sodre/SSPress

Pela primeira vez na história da natação panamericana o hino nacional de Bahamas foi escutado. Arianna Vanderpool Wallace fez história, venceu de ponta a ponta, uma saída incrível, um nado frequente e forte confirmando o favoritismo e levando com 24.38. Um pouco mais lento do que havia feito nas eliminatórias com 24.31 que fica como recorde da competição. Bahamas já tinha uma medalha de bronze com o revezamento 4×100 medley no Rio em 2007, ganho graças a desclassificação do Brasil pelo doping de Rebeca Gusmão e o bronze nos 100 livre da própria Arianna no primeiro dia desta competição em Toronto.
Agora foi especial, a ponto da nadadora se emocionar logo na chegada e ver o seu nome em primeiro lugar no placar.
Etiene Medeiros largou atrás de Natalie Coughlin, mas foi buscar na braçada a prata da prova, sua segunda medalha do dia, com 24.55 quebrando o seu próprio recorde sul-americano da prova de 24.74 estabelecido no Open de dezembro do ano passado. Coughlin completou o pódio com 24.66.
Graciele Herrmann terminou na sétima posição, repetiu o 24, nadou para 24.94 numa demonstração do alto nível da prova. Até este Pan, nunca ninguém havia quebrado a barreira dos 25 segundos, desta vez foram sete nadadoras da final A que nadaram na casa dos 24.

50 livre masculino –

Bruno Fratus. Jogos Pan-americanos, Natacao no Aquatics Centre. 17 de julho de 2015, Toronto, Canada. Foto: Satiro Sodre/SSPress

Bruno Fratus. Jogos Pan-americanos, Natacao no Aquatics Centre. 17 de julho de 2015, Toronto, Canada. Foto: Satiro Sodre/SSPress

Agora a saída foi perfeita, o árbitro não errou, mas Bruno Fratus nadou mal. Sua reação de 0.82 na saída não foi das melhores, mas pior mesmo foi o “breakout” e início de nado Bem atrás de quase todo mundo na série, chegou a se recuperar e na altura dos 25 metros parecia caminhar (nadar) para a vitória. No final tradicional que Bruno cresce, não cresceu. Ficou em segundo com 21.91 cinco centésimos atrás do americano Josh Schneider vencedor da prova com 21.86. O mesmo Schneider que havia sido o mais rápido pela manhã, o único na casa dos 21 segundos nas eliminatórias. E o mesmo Schneider que bateu Bruno e César Cielo no Arena Pro Swim Series em Charlotte em maio passado. Na oportunidade, Schneider venceu com 21.96, Cielo foi segundo com 22.05 e Fratus em terceiro com 22.22.
Um tanto estranha a temporada de Bruno Fratus que nadou para os mesmos 21.91 da prata de Toronto em janeiro deste ano no Arena Pro Swim Series de Austin, no Texas. Sua melhor marca do ano, 21.74 foi no Maria Lenk em abril, tempo que lhe mantém na terceira posição do ranking mundial.
Nicholas Santos nadou na final B da prova e terminou em 10o lugar nadando para 22.55.

2 respostas
  1. ale
    ale says:

    Fiz uma breve sintonizada no pan, vi que Fabiola Molina realmente entende de natação como poucos . Um tom de drama e emoção, que o Mundial 2015 e Rio 2016 vai precisar.

    Responder
  2. Julio Cesar
    Julio Cesar says:

    Coach, há algum tempo acompanho o desempenho do Fratus em grandes competições (Olimpíadas, Mundiais e Panamericanos) e fico com a intuição de que o que lhe falta é a força mental que sobra no Cesar Cielo. Ele sempre chega bem balizado, com grandes desempenhos na temporada, mas não consegue repetir essas performances na hora em que é mais necessário.
    Abraços!! Sou um grande fã do seu trabalho.

    Responder

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