Ele é paranaense, 31 anos de idade, boa parte disso morando fora. Depois de começar a carreira de treinador na Escola de Natação Amaral em Curitiba foi para a Rússia onde fez mestrado na Universidade Estatal de Cultura Física de Moscou. Lá mesmo, também atuou com a equipe de ponta da universidade onde quatro nadadores chegaram aos Jogos Olímpicos de Londres em 2012. Depois disso, se mudou para os Estados Unidos onde trabalhou no “legendário” Davie Nadadores (palavras suas). Fez parte da comissão técnica comandada por Alexandre Pussieldi e Omar Gonzalez se destacando principalmente no trabalho de preparação física que levou Felipe Lima ao bronze nos 100 peito do Mundial de Barcelona e a Dylan Carter de Trinidad & Tobago a medalha de prata nos 50 borboleta do Mundial Júnior de Dubai.

Desde setembro de 2013, Coach Guilherme faz parte da Azura Florida Aquatics onde junto de Gianluca Alberani fazem um belo trabalho reunindo nadadores de várias nacionalidades. As vésperas do Pan, a Best Swimming faz uma entrevista com o treinador brasileiro e a experiência de comandar seus nadadores em mais esta competição internacional.

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BEST SWIMMING – Quantos e quais são os seus atletas que estarão nos Jogos Pan Americanos de Toronto?
GUILHERME FERREIRA – São seis atletas, de seis países diferentes. Marcelo Acosta de El Salvador (200, 400 e 1500 livre), Jennifer Marquez da Venezuela (4 x 100 live e medley), Jose Angel Martinez do México (200 medley e 4 x 200 livre), Noah Gomes de Antígua (100, 200 e 400 live), Esteban Arraia da Costa Rica (200 e 400 medley) e Daniella van den Berg de Aruba (200, 400 e 800 livre). Destes, o mais destacado é Marcelo Acosta que foi medalha de prata nos 400 livre dos Jogos Olímpicos da Juventude no ano passado em Nanjing.

BS – Como é como treinador brasileiro ter a oportunidade primeiro em trabalhar no exterior e depois com atletas estrangeiros.
GF – É um grande aprendizado. A cultura esportiva americana é muito forte. O que mais me surpreendeu no início é a enorme participação das familias de atletas, que veem o esporte como parte da formação de seus filhos. É normal ver dezenas de pais assistindo aos treinos e competições, bem como voluntariando como árbitros ou na organização em geral. Outro fato interessante nos Estados Unidos é a abordagem do esporte como um bom negócio. Aqui até Michael Phelps pagava para treinar (até ele comprar o próprio clube), o técnico trabalha como uma espécie de prestador de serviço e o atleta como cliente.
BS – E trabalhar na Flórida?
GF – A Flórida é um estado multicultural, e a natação segue a mesma linha. Aqui se preparam atletas do mundo inteiro que chegam em busca de melhores condições competitivas e de treinamento. Também se encontram aqui treinadores vindos de todas as partes do mundo, desde cubanos e brasileiros a até japoneses. Eu não presto muita atenção ao fato de os atletas serem de diferentes países, ao final não importa o país de origem mas sim os objetivos e a paixão pela natação que todos tem em comum. No clube nadam 95% de atletas extrangeiros. Alguns vieram somente pelo esporte e outros com suas familias em busca de fazer a vida nos Estados Unidos.

BS – Como é esta dinâmica de receber atletas estrangeiros nos Estados Unidos e prepará-los para os campeonatos internacionais?
GF – Como nós trabalhamos com muitos extrangeiros acabamos tendo uma estrutura um pouco diferente da maioria dos clubes americanos. Um clube comum geralmente tem uma competição alvo por temporada e prepara todos os atletas visando a mesma competição. Nossos atletas estão na maioria trabalhando para diferentes competições como campeonatos nacionais de seus países e competições internacionais. Fazemos um planejamento individual visando o objetivo de cada atleta, tendo como prioridade não o time mas cada um de nossos nadadores. Também trabalhamos ajudando atletas extrangeiros a conseguir bons resultados no esporte e nos estudos visando a conquista de bolsas em universidades do NCAA e outras ligas universitárias americanas. Essa é na minha opinião uma das maiores oportunidades que a natação da aos atletas: Estudar em uma escola de ponta com bolsa e ainda receber total apoio para se desenvolver no esporte e representar a universidade nas competições regionais e nacionais. No ano passado enviamos sete atletas para universidades do NCAA e este ano estamos enviando mais cinco.

BS – E como você descreveria o tipo de trabalho aplicado na Azura a seus nadadores?
GF – Mesmo tendo essa abordagem individual, procuramos ao mesmo tempo criar um clima de equipe, colocando sempre que possível atletas com objetivos e provas similares para treinar juntos. A filosofia do time é de muito trabalho duro e dedicação total. Um treino normal começa com uma parte de aproximadamente 45 minutos com a equipe inteira treinando junto seguido de uma hora ou mais dividindo em diferentes grupos de acordo com as provas e objetivos.

BS – E qual a expectativa para Toronto?
GF – A expectativa é de alcançar nossas melhores marcas pessoais. Se isso for o suficiente para entrarmos em finais, então estaremos na briga pelo pódium. Em pelo menos quatro provas há boas chances de entrarmos entre os oito melhores. Para isso será necessário nadar mais rápido que nunca e é com essa mentalidade que nos preparamos para o evento. A equipe tem treinado com muita paixão e merece um resultado especial.

BS – E projetando o Rio 2016, quantos atletas o seu clube pretende colocar na Olimpíada?
GF – Temos pelo menos oito atletas com chances. Assim como para Londres 2012 a classificação para o Rio será também muito dura. Passadas as competições de julho e agosto próximos as atenções já estarão todas voltadas aos Jogos Olímpicos do Rio. Vamos, sem dúvida, passar os feriados de fim de ano treinando muito e planejamos um período em altitude para janeiro e fevereiro de 2016, além da participação no evento teste em abril, Mare Nostrum e etapas do Arena Pro Swim. Todos querem estar na Olimpíada do Rio. É uma excelente motivação para trabalharmos duro e nos superarmos nos próximos meses.

Conheça alguns dos nadadores da Azura Aquatics que trabalham com o treinador bazuca Guilherme Ferreira nos Estados Unidos.

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