Mundial de Kazan ou Pan de Toronto? Kazan! Não, Toronto! A escolha é dura e difícil. Estar no Pan para os Jogos Pan Americanos é uma grande oportunidade para os nadadores brasileiros. Chance de medalha, oportunidades de patrocínio, prêmios e reconhecimento. Brilhar no Mundial, é mais difícil, é para poucos, mas a glória requer sacrifício e algumas privações, talvez ficar de fora do Pan seja uma delas.

A CBDA já anunciou os critérios para as equipes. Para Toronto, vamos mandar 36 nadadores, 18 homens e 17 mulheres. São os melhores índices técnicos (16) e mais dois nadadores para os revezamentos. É a equipe máxima, uma redução nas regras pela ODEPA que determinava 26 nadadores até os Jogos Pan Americanos de Guadalajara em 2011.

Para Kazan, os índices são as marcas olímpicas. Vamos mandar para o Mundial todos os que alcançarem os tempos, mais as seis equipes de revezamento (4×100 livre, 4×200 livre, 4×100 medley masculino e feminino). Os revezamentos são determinantes no Mundial, chegar entre os 12 primeiros, garante a vaga automática para os Jogos do Rio 2016.

Tanto para o Pan, como para Kazan, apenas os tempos alcançados no Open e no Maria Lenk de abril serão considerados. Esta dificuldade de duas competições tão próximas, são apenas 14 dias, determina uma análise mais aprofundada e técnica sobre as chances individuais de cada nadador.

Campeonato Mundial e Jogos Pan Americanos no mesmo ano não é novidade. O Pan é uma competição mais antiga, desde 1951 disputado a cada quatro anos. O Mundial dos Esportes Aquáticos é bem mais recente, começou em 1973 e realizado a cada dois anos. Em Toronto, será a 17a edição do Pan, em Kazan, teremos o 16o Mundial. Este ano será a sexta vez que teremos as duas competições na mesma temporada.

Mesmo não sendo novidade, estes 14 dias de diferença entre Toronto e Kazan, passam a ser o menor número de dias de diferença entre as duas competições. A marca anterior foi em 2003, quando o Mundial de Barcelona e o Pan de Santo Domingo foram separados por 15 dias

A primeira vez que tivemos este “conflito” de competições foi em 1975. Era a segunda edição do Mundial realizado em Cáli na Colômbia de 20 a 27 de julho e onde o Brasil passou batido sem qualquer medalha. O Pan foi na Cidade do México, de 14 a 20 de outubro, 78 dias depois. Lá, nossa seleção voltou em quarto lugar no quadro de medalhas da natação com nove medalhas de bronze.

O conflito de competições voltou a acontecer em 1991. Na verdade, nem foi conflito. O Mundial foi em Perth, na Austrália de 3 a 13 de janeiro e o Pan em Havana, Cuba, de 12 a 18 de agosto. Esta diferença de 210 dias não pode ser nem considerada como conflito. O Brasil teve um desempenho fantástico no Pan, talvez a grande virada da natação brasileira na disputa da competição com nove medalhas, três de cada cor.

Conflito mesmo foi em Barcelona, Espanha, em 2003 onde vivenciamos as dificuldades que iremos passar este ano. Com apenas 15 dias entre o Mundial e o Pan de Santo Domingo, a idéia da CBDA foi levar todo mundo para Barcelona e seguir a preparação focando o Pan. Enquanto a competição corria no Palau Saint Jordy, muitos nadadores brasileiros seguiam seus treinamentos na piscina de aquecimento. Passamos em branco no Mundial, mas no Pan, o Brasil terminou em segundo lugar com 21 medalhas, três de ouro, seis de prata e 12 de bronze.

Quatro anos depois, o Mundial de 2007 foi em Melbourne, Austrália, de 25 de março a 1o de abril. 105 dias depois, o Pan do Rio de Janeiro, de 16 a 22 de julho. Novamente, como havia acontecido em 1991, não houve qualquer conflito. Mesmo assim, tivemos alguns nadadores que optaram por não estar no Mundial. No Pan do Rio, nossa melhor performance na história da competição com 26 medalhas, sendo 10 de ouro.

Na última edição do Pan em 2011, 75 dias depois do Mundial de Shanghai, não tivemos dificuldade no conflito das competições. O Brasil voltou do Mundial com três medalhas de ouro todas nas provas de 50, duas com César Cielo (50 livre e 50 borboleta) e uma com Felipe França (50 peito). Em Guadalajara, chegamos a 25 medalhas, repetimos as 10 de ouro do Rio 2007, mais nove de prata e seis de bronze.

Thiago Pereira ganhou sete delas, seis de ouro (100 e 200 costas, 200 e 400 medley, 4×100 livre, 4×100 medley) e uma de prata (4×200 livre). Com isso, chegou a 18 medalhas em Jogos Pan Americanos, uma a menos do que Gustavo Borges, mas 12 de ouro, o maior vencedor de todos os tempos passando o mesa tenista Hugo Hoyama que parou nas 10.

Thiago é um que já anunciou a sua preferência por estar nas duas competições. Quer ir para Toronto em busca de quebrar o recorde de Gustavo e se prepara com afinco para também brilhar no Mundial de Kazan.

O conflito Toronto-Kazan traz uma novidade para este 2015. É a primeira vez que vamos ter a disputa dos Jogos Pan Americanos antes do Campeonato Mundial. Todas as cinco vezes que tivemos este conflito, sempre o Mundial foi disputado na frente. As duas competições fizeram ajustes nas suas datas de realização por conta deste conflito. Nas datas iniciais anunciadas, a diferença era de apenas 10 dias.

Quem decidir pelas duas competições vai ter de superar algumas dificuldades. Toronto está três horas atrás em nosso horário. Em julho, esta diferença cai para duas horas. Kazan está a cinco horas na nossa frente, durante o Mundial a diferença aumenta para seis. Isso faz uma diferença entre Toronto e Kazan de oito horas no fuso. Normalmente, a adaptação no relógio biológico leva um dia para cada hora. Como são 14 dias, teríamos tempo suficiente para esta adaptação.

Há de se considerar também a viagem. E que viagem. Não existe vôo direto de Toronto para Kazan. Duas ou três conexões serão necessárias em vôos que vão demorar pelo menos 18 horas, ou mais.

O tempo também é diferente. É verão para as duas cidades. Em Toronto, algo bem sólido entre 21 a 26 graus. Em Kazan, a máxima é bem próxima, chega aos 24 graus, mas as mínimas pela noite fazem uma boa diferença, algo em torno dos 12 graus.

Detalhes, números, registros e estatísticas que devem estar na cabeça dos nadadores. Todos em busca de seus melhores resultados, a CBDA não esconde a estratégia. Vai tratar cada caso individualmente e fazer a decisão final. Os principais nadadores terão um direito que valoriza e reconhece a performance. Terão suas vozes escutadas e na busca dos melhores resultados possíveis.

Em resumo, o Pan de Toronto é para ganharamos medalhas. Vamos enfrentar a seleção principal do Canadá, uma exigência dos organizadores para a federação de natação, e um time americano, que mesmo sendo a seleção C, tem nomes como Cullen Jones, Allison Schmitd e Natalie Coughlin, todos campeões olímpicos. Para o Mundial de Kazan, temos de mandar nossos melhores revezamentos. É a prioridade do time, garantir as vagas para o Rio 2016,  e em busca das medalhas de nossos melhores nadadores.

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