Na Raia: Os reflexos de 2014

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FABIOLA MOLINA

Por Plínio Rocha
No Twitter: @pliniorocha77

O ano de 2014 foi verdadeiramente bom para a natação brasileira.

Matheus Santana se firmou não apenas como grande promessa, mas, principalmente, como realidade. Recordista mundial júnior, nadador de respeito “adulto”. Braçada a braçada, foi conquistando objetivos e evoluindo, e nem é tão necessário dizer, mais, que tem tudo para continuar assim e brilhar quando a coisa apertar, em Mundiais, Olimpíadas…

Etiene Medeiros rompeu uma barreira que já incomodava, aquela de nenhuma mulher ter conquistado um ouro em Mundiais nem ter batido recordes mundiais. E foi em piscina curta, mas, quer saber, dane-se. Além de continuar sendo um baita resultado, enche a menina de confiança e esperança, a ponto de ela quase ter batido o recorde mundial dos 50m costas, pouco mais de uma semana depois, na longa. E se alguém aparecer e dizer que não se trata de uma prova olímpica, com toda a educação do mundo, a gente manda à…

Allan do Carmo e Ana Marcela se consagraram como os dois melhores nadadores de águas abertas do mundo. E aqui não tem poréns, não há uma vírgula do que se questionar. O Brasil vem tirando ainda mais proveito do fato de ter uma costa de milhares de quilômetros de oceano, num processo que começou, de fato, com os bons resultados de Poliana Okimoto e vem se aprimorando agora.

Felipe França terminou o ano com a sensação de missão cumprida. Por ter conquistado cinco medalhas de ouro em Doha? Também. Mas, principalmente, porque deu a volta por cima, saiu de uma situação de ostracismo e desconfiança total, muitos quilos acima do peso e com a cabeça talvez ainda mais pesada, para atingir uma boa forma que, talvez, nunca tenha atingido. O peitista está mais forte, principalmente, psicologicamente. Da maneira que precisa estar para repetir na longa tudo aquilo que conseguiu na curta.

Cesar Cielo se manteve na elite da natação mundial. Pelo menos pelo sétimo ano seguido. Não é pouca coisa. Bateu de frente com os melhores, mais uma vez, e os superou, mais uma vez. O melhor nadador que este país já produziu mostra que não depende de trajes tecnológicos para continuar evoluindo. Pode ser que nunca mais consiga melhorar os recordes mundiais dos 50m e 100m livre, mas não tem deixado que ninguém mais faça isso, também. Cielo é o que é porque tem talento e treina exaustivamente, mas, principalmente, porque é um baita dum competidor. O melhor à solta nas piscinas por aí, hoje em dia.

E nesse balaio aí tem o renascimento e a consolidação da natação do Corinthians, a recuperação do Pinheiros, a luta incansável do Flamengo para não morrer, o 4 x 50m medley brasileiro, chamado de Dream Team, os planos de Thiago Pereira para o futuro, a volta de Joanna Maranhão, a boa geração de velocistas que vem aumentando a cada dia…

A natação brasileira teve um bom 2014. Não tem como discutir. Para que ele seja ainda melhor, que 2015 mantenha o nível elevado, assim tudo aquilo não vai passar apenas de medalhas de ouro, recordes e resultados expressivos nos livros de história.

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Plínio Rocha é editor do Diário de S.Paulo e escreve a coluna Na Raia no Best Swimming desde 2007

3 Comentários

  1. Realmente endosso suas palavras, foi um ano que realmente nos motiva para 2016. Acredito que em 2015 apareçam novos talentos para se unir a estes campeões, como foi em 2014. Assistindo ao Open pude perceber que se os mais velhos não melhorarem, os mais novos estão chegando. Espero que lavemos a alma em 2015. Vamos ficar de olho no mundial, lá será uma pequena amostra do que virá nas Olimpíadas. Saudações Aquáticas. Segue um dos vídeos que desta isto. https://www.youtube.com/watch?v=hBDGzIEjlGg

    • Grande Carlo,
      Eu fui um dos mais entusiasmados com o crescimento da garotada e chegando perto da elite numa das melhores provas do Brasil, mas precisamos ser conscientes de que não podemos brigar por “vagas” olímpicas e sim medalhas. Esta prova, como tive a oportunidade de dizer na transmissão, ficou devendo. Já está na hora de termos um pódio todo na casa dos 59 nos 100 peito do Brasil. E se quisermos subir ao pódio no Rio 2016, que deve ser o objetivo dos atletas na disputa, estamos falando em 58.
      Tenho certeza de que a galera vai entender a mensagem e vamos ter muita gente quebrando destas barreiras.

      • Concordo perfeitamente Coach, mas com a evolução em tivemos neste ano, acredito que os 59 será uma realidade em 2015, em quem sabe 58 no Rio 2016. Sonhar é possível, basta acreditar!!! Um Super Ano Novo de grandes realizações.

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