Papo de Olímpico: mudar é bom

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FABIOLA MOLINA

Todo atleta sofre em algum momento da sua carreira algum tipo de mudança. A mudança faz parte da vida do atleta, pois sem ela dificilmente conseguiríamos crescer na nossa profissão. Os melhores atletas do mundo experimentaram outros lugares, diferentes técnicos, e até mesmo outras culturas. Isso ajuda não só na parte técnica, mas creio que faz com que o atleta reflita mais seus conceitos reestruturando seus ideais e objetivos. Por exemplo, nossos últimos cinco medalhistas olímpicos todos já treinaram fora do país pelo menos uma vez. Isso não faz de maneira nenhuma com que o técnico ou o lugar anterior seja pior ou melhor. A natação é um esporte individual e nem sempre o que dá certo para um dará certo para o outro. Temos que entender que ideias novas e mudanças só tem a agregar na vida esportiva, social, e cultural, ajudando a formar uma pessoa mais madura, sábia e experiente.

Na minha carreira passei por diversos lugares, mas o que me motivou e ainda me motiva a buscar coisas novas é o prazer que tenho em conhecer trabalhos diferentes, técnicas novas, e ter diversos companheiros de treino. Já tive o prazer de ter técnicos como Reinaldo Dias, Nort Torthon, Mike Bottom, Fred Vergnoux, Brett Hawke, e Albertinho. Me orgulho de ter treinado ao lado de pessoas como Gary Hall Jr., Anthony Ervin, Mike Cavic, Duje Draganja, Natalie Coughlin, Nathan Adrian, André Cordeiro, Rogério Romero, Thiago Pereira, César Cielo, Nicholas Santos, Guilherme Guido, Miréia Belmonte, entre outros… Creio que esse tipo de convívio só traz benefícios a um atleta.

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Atualmente estive no centro de treinamento em Bath no Reino Unido treinando ao lado do medalhista olímpico nos 200m peito e grande amigo Michael Jamieson. O programa supervisionado pelo técnico David McNulty é um pouco diferente do que havia visto. Para começar são 10 sessões semanais com dobra todos os dias e o final de semana inteiro de folga. Porém a intensidade sempre elevada, trabalhando sempre com batimentos cardíacos durante as séries e a parte fora d’água. Apesar do Reino Unido não ser conhecido por ter nadadores estrangeiros treinando por lá, me senti muito bem recebido e isso foi fundamental para um adaptação rápida refletindo diretamente no desempenho dos treinos. O desenvolvimento que o nado de peito teve na Inglaterra nos últimos dois anos é impressionante. Logo no primeiro já pude perceber quando o técnico David já reparou em um defeito que ninguém nunca havia me falado antes. A estrutura também tem uma parte importantíssima no desempenho diário dos nadadores. Com certeza que as filmagens nas terças e quintas, musculação na beira da piscina, e uma piscina inteira para 12 nadadores faz muita diferença refletindo diretamente no nível de desempenho dos atletas.

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Toda mudança é válida. Nenhuma experiência será em vão e posso afirmar que mesmo depois de ter rodado o mundo ainda me surpreendo com conceitos novos, que faz com que a natação não caia na monotonia de contar azulejo. Os treinos não pode se resumir a base, especifico e polimento para o resto da sua vida. Tenho certeza que um atleta que nunca saiu do país sempre vai se perguntar e se eu tivesse ido treinar fora. Pois a maioria que teve a oportunidade de treinar fora só tem coisas boas para contar. A mudança é necessária para um amadurecimento e uma abertura de conhecimentos que irá refletir na diretamente na performance e na vida do atleta.

Por Henrique Barbosa, atleta olímpico do Brasil em 2008 e 2012, recordista sul-americano dos 100 e 200 peito

2 Comentários

  1. Temos que circular. Isto ainda é tabu no nosso país. Por outro lado, a Europa demoraria a “descobrir” a imprensa como ela é não fosse por Marco Polo. Nem as Américas, se não fosse por Colombo !

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