Por Plínio Rocha
Twitter: @pliniorocha77

Matheus Santana acaba de completar 18 anos. É evidente que o desenvolvimento de cada ser humano é diferente, mas, para quem tem mais de 30, tente se lembrar um pouco de como era a vida, e a cabeça, aos 18.

Parece aquela fase da vida na qual ainda somos um pouco avoados. Queremos fazer muita coisa, mas acabamos fazendo menos. É normal. Algumas definições aparecem, mas é a época na qual começa-se a estabelecer metas, objetivos, sonhos.

Aos 18 anos, Matheus já fez muito. Surgiu como grande promessa da natação brasileira, e vem confirmando isso nas piscinas. Já bateu o recorde mundial júnior dos 100m livre duas vezes. O melhor tempo dele na distância é 48s35. Vai disputar os Jogos Olímpicos da Juventude, agora. E, claro, já há que cobre que o garoto nade para 47s.

E sabe aquele papo de que qualquer pressão excessiva atrapalha? Pois é, é verdade. Mas o curioso, nesse caso, é que Matheus parece não se importar tanto com isso. Única e simplesmente porque se trata de uma coisa que ele vai perseguir insistentemente até conseguir. Mais: sabendo que tem totais condições disso.

“Cara, isso não me preocupa tanto assim, por enquanto. Eu só tenho de continuar fazendo a mesma coisa que fiz até hoje, continuar trabalhando como trabalhei até hoje. Se fizer isso direito, e as coisas saírem como têm de sair, existe uma chance de eu chegar lá, um dia. É um objetivo, e eu vou atrás dele.”

A frase foi do próprio, num bate-papo informal que tivemos, em abril, durante o Maria Lenk. Foi lá, inclusive, que ele cravou os 48s35. Saiu da piscina como se estivesse saindo de um treino, com a expressão tranquila. Não exagerou na comemoração nem minimizou o fato. Tratou como deveria ser tratado.

Não que o sujeito que faça isso de maneira diferente esteja errado. Cada um tem a sua maneira de comemorar, de extravazar, e é sempre tudo muito justo e legítimo. Mas a reação de Matheus mostra como ele encara cada estágio de amadurecimento dele. Porque sabe que está traçando uma linha de conquistas, e existe a hora certa para que cada uma delas apareça.

O carioca, além de tudo, não é uma esperança apenas para ele mesmo, ou as pessoas mais próximas. Matheus nadando bem, aumenta a possibilidade de o Brasil estar bem. Sempre. É preciso mais gente do que apenas Cesar Cielo e Bruno Fratus nadando essa prova de maneira muito competitiva para que um possível revezamento volte a brigar por medalhas em competições importantes. E sabe o que ele acha disso? “É um sonho, claro.”

Matheus Santana tem o que é necessário, além de talento, treino e dedicação, para dar certo. Tem a cabeça boa e tranquila. Não se deslumbra com o que já vem conquistando, tampouco se desanima ou sente medo ao olhar para uma realidade dura pela frente. Sim, porque ele vem sendo o cara, até aqui, mas, na hora de alinhar ao lado de russos, americanos, franceses, australianos e quem quer que seja, nos momentos em que realmente será testado, a coisa muda. O patamar é muito acima, e há de se estar pronto para lidar com isso.

Não dá para prever o futuro, mas, engraçado, a imagem que já vem à cabeça é de um cara que vai fazer isso da maneira mais natural possível. Ficar na sala de espera com tranquilidade, subir na baliza sem olhar para o lado, nadar, nadar, nadar. Bater a mão na borda e conferir o resultado, para então comemorar ou não. Isso se chama preparo mental, algo que faz de Cielo, por exemplo, um cara quase imbatível, quando também está bem fisicamente.

Aos 18 anos, Matheus Santana talvez ainda tenha mais dúvidas do que certezas. O que faz dele diferente é que muita gente tem a convicção de que vai chegar longe. E se existe uma coisa na qual acreditamos, na idade em que ele está, é que o céu, sempre, é o limite.

Quem viver, verá.

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Plínio Rocha é editor do Diário de S.Paulo e assina a coluna Na Raia, na Best Swimming, desde 2007

3 respostas
  1. Dudu
    Dudu says:

    Conheço Matheus Santana, desde bebê, pois trabalho com a mãe dele há quase vinte anos, e sei da determinação dele. Ele vai conseguir seus objetivos, pois sempre foi muito perseverante!!!!

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  2. Estevam Luiz
    Estevam Luiz says:

    A carreira do Matheus Santana está só começando. Nada de pressa. Uma característica dos grandes nadadores é a evolução contínua ao longo de toda a carreira. Peguem os tempos do Cielo, do Thiago Pereira, do Ryan Lochte, eles nunca se acomodaram mesmo estando no topo.

    Responder

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