Autor • Alex Pussieldi
Fonte • Best Swimming

AFP

Ana Marcela e sua irreverência após o ouro no Mundial

 

Os 10 quilômetros de Shanghai já é coisa do passado. Ana Marcela Cunha, a primeira e única sul-americana campeã mundial da história agora tem novos planos e desafios pela frente.

 

Londres e os Jogos Olímpicos do próximo ano são temas que estão fora de sua agenda. Ao ficar em 11o lugar no Mundial, Ana Marcela deu adeus a disputar sua segunda Olimpíada, ela que havia sido o melhor resultado feminino do Brasil em Beijing ao ficar em 5o lugar na prova das maratonas aquáticas.

 

Por conta disso, Ana Marcela deve recusar o convite de participar do Teste Evento marcado para 13 de agosto em Londres, local da prova olímpica do próximo ano. Apenas os 30 primeiros colocados do Mundial receberam este convite. Agora, o objetivo é a medalha de ouro nos Jogos Pan Americanos.

 

Ela já abriu mão de participar das provas de natação de piscina, embora tivesse conquistado este direito na água, o objetivo é levar o ouro em Puerto Vallarta, litoral do Estado de Jalisco, a cerca de duas horas de distância de Guadalajara.

 

Não é uma questão de desistir, e sim de prioridades. As vésperas da prova dos 25 quilômetros, toda a celeuma criada pela comunidade internacional e a intenção de cancelar a prova em razão da alta temperatura da água, Ana Marcela confessou ao pai: “Vou nadar até meu limite. Seu começar a passar mal eu paro, mas se eu estiver na parte final da prova e estiver na frente, eu vou passar do meu limite”.

 

Isso é Ana Marcela. Uma baiana de apenas 19 anos de idade. Que sempre foi muito simples no jeito de ser, mas sempre muito decidida e determinada em seus objetivos. Ana Marcela fez a família trocar de Estado em busca de poder realizar o seu sonho de atleta.

 

O gosto pelas águas abertas vem de longe. Ela nem tinha idade minima (14 anos) e já estava disputando uma das mais difíceis provas das maratonas aquaticas  do país, a Mar Grande Salvador.

 

Aos 15 anos, deixou todo mundo sem acreditar que preferia ir ao Mundial de Águas Abertas na Itália do que disputar o Mundial Júnior de natação no Rio. Acabou fazendo os dois.

 

Em 2010, superou todos os recordes possíveis e imagináveis fazendo parte do maior número de Seleções Nacionais que um atleta brasileiro já tenha alcançado. Piscina, águas abertas, absoluto, junior, Ana Marcela esteve em todos, e sempre com grande eficiência.

 

O título mundial dos 25 quilômetros vieram coroar isso tudo. Claro que serviram de consolo para o mau desempenho na prova dos 10 quilômetros. E uma coisa Ana Marcela tem é a capacidade de reconhecer quando as coisas podem ser melhores.

 

O desafio dos 25 quilômetros, as 6 da manhã, em uma água de 30 graus só podem ser comparados a trágica prova que encerrou a Copa do Mundo do ano passado e que vitimou o americano Francis Crippen que morreu durante a disputa.

 

Quando fala da condição da água quente de Jinshaw na China, Ana Marcela diz que estava igual a Dubai no ano passado, só que com uma diferença: foram cinco horas e meia de prova!

 

E que prova. Ana Marcela também foi honesta ao reconhecer a “ajuda da galera”. Foi o jeito simples de falar da participação ativa de toda a comissão técnica envolvida no processo de hidratação e alimentação durante a prova. 18, sim 18 vezes, parando para tomar água, Gatorade, mais o composto de carboidrato e as novidades impostas pelo médico Dr. Blanco Herrera: Coca Cola e pêssego em caldas.

 

Falando nele, Dr. Blanco esteve com ela nos dois treinamentos de altitude. Fez parte de toda esta programação, de todo planejamento. De Márcio Latuf, não precisa nem falar. Ele é uma das razões do sucesso de Marcelinha. Latuf mudou a maneira de Ana Marcela nadar, do jeito de pensar, do jeito de atacar. Ele também foi fundamental nestes dias que antecederam a prova dos 25 quilômetros. A frustração dos 10 foram muito fortes. Um verdadeiro drama que terminou com o maior resultado de sua carreira.

 

Quando estava nos metros finais da prova, Ana Marcela viu que disputava o título contra uma de suas maiores rivais. A alemã Angela Maurer, a mesma que lhe perseguiu pelo título da Copa do Mundo no ano passado. “Quando eu vi que era só eu e ela” diz Ana Marcela, “para esta velha de 37 anos eu não vou perder” brinca a baiana.

 

Este jeito moleque de ser de Marcelinha também é outra de suas características. Talvez um de seus maiores dons, o alto astral. Quando Ana Marcela está presente, o o ambiente sempre é outro. E agora ainda mais, coroada como campeã mundial.

 

Parabéns Marcelinha, somos todos orgulhosos de você. 

0 respostas
  1. carlos oliveira
    carlos oliveira says:

    O que não se destacou ainda, e que me parece o mais impressionante, é que ela nadou 3 (TRES) MARATONAS em quatro dias da mesma semana…….

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  2. Marcio Bueno
    Marcio Bueno says:

    Sensacional!!! Excelente e merecida homenagem. Parabéns, Ana Marcela. Torceremos para sobrar uma vaguinha para Londres para Você.

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