Editorial: #Coisadepreto

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FABIOLA MOLINA

Coisa de preto! Dizer “coisa de preto” não é racismo, é nojo, é repugnância. É simplesmente inaceitável.

Cabe a todos nós nos posicionarmos, protestar, rejeitar. Se um dia isso foi engraçado, piada, zombaria, hoje, é repulsivo e absurdo.

Para nós da natação, “Coisa de preto” é Etiene Medeiros, nossa primeira medalhista da natação em Mundiais, primeira campeã panamericana, nossa primeira brasileira a subir ao pódio de um Mundial Júnior. “Coisa de preto” é João Luiz Gomes Júnior vice campeão mundial dos 50 peito.

Ahh “Coisa de preto” é pegar o revezamento em quinto e entregar em terceiro e dar ao Brasil a medalha de bronze no 4×100 metros nado livre dos Jogos de Sydney em 2000. Né, Edvaldo Valério, ohhh “Coisa de preto”!

“Coisa de preto” são tantas coisas. É o Marcelo Fonseca, um de nossos árbitros FINA com presença em Mundiais e Olimpíada, é Ismar Barbosa, treinador que revelou Poliana Okimoto, é Guilherme Freitas, um dos melhores jornalistas especializados em nosso esporte no Brasil.

A lista é grande. Gente que brilhou e fez nossas cores tremular lá fora. Gabriel Mangabeira, finalista olímpico, Mateus Lordelo, medalhista sul-americano, Eliana Alves, ex-jornalista da CBDA e que hoje se destaca na literatura e ainda faz parte do Comitê de imprensa da FINA. E o que dizer do melhor maratonista do país, é Allan do Carmo, um baita “Coisa de preto”!

E tem mais, Nicolas Oliveira, recordista sul-americano e três vezes olímpico, Jader Souza, este amapaense era o cão na velocidade, Fernando Silva, outro olímpico, Renner Lima, recordista brasileiro, Allan Vitória, Dandara Antônio, Joel Moraes, tem Matheus Santana, nosso recordista mundial júnior!

Na natação paralímpica, que tal um André Brasil, afinal 14 medalhas em Jogos Paralímpicos sendo sete de ouro, é muita “Coisa de preto”.

E se precisar, a gente vai lá fora… Anthony Nesty, campeão olímpico de 1988 derrotando o favorito Matt Biondi por um centésimo. Ou Simone Manuel, a primeira campeã olímpica negra empatando com Penny Oleksiak do Canadá nos 100 metros nado livre no Rio 2016. E falando em Rio 2016, que tal o mais velho campeão olímpico da história da natação, Anthony Ervin e seus 36 anos para levar o ouro dos 50 metros nado livre. Ervin não parece, mas filho de negro, é “Coisa de preto”. E se simpatia entra neste quesito como deixar de fora o sorriso da jamaicana Alia Atkinson, a primeira campeã mundial negra ao levar o título dos 100 metros nado peito no Mundial de Doha, 2014 no Catar.

Sim, “Coisa de preto” é tudo isso, é gente forte, boa, precisa, brilhante e fazendo história. Pessoas que se destacam, que brilham, que acontecem. Pessoas que independente de suas raças, de seus países, de seus credos ou sexos, são pessoas que nos enchem de orgulho.

Obrigado a todos os citados (e muitos outros), vocês realmente são espetaculares. O nosso esporte só tem a agradecer tudo o que vocês fazem e já fizeram pelo Brasil.

3 Comentários

  1. Excelente artigo!! Parabens Pussieldi!! Precisamos de palavras como estas pra conscientizar as pessoas o quão ignorante e porque não dizer repugnante é o racismo!!

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