Editorial: 4 hour rule

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FABIOLA MOLINA

A Federação Americana tomou uma decisão em 1989 que se mantém até hoje nas competições de natação para crianças até 12 anos de idade. A regra se chama “4 hour rule” e determina que todo evento para esta faixa etária deve ser programado (e organizado) dentro do limite de 4 horas de disputa. Não estão inclusos neste limite o tempo de aquecimento, nem das provas de revezamento. Apenas as provas individuais, do início ao fim da competição.

Quando criada, a regra, que hoje leva o número 205.3.1F, era uma tendência nacional que também gerava discussões em outros esportes. Ligas de beisebol e futebol também adotaram a mesma medida que se mantém até os dias atuais.

Começo falando da regra e do modelo americano para tentar justificar o interesse em manter um tempo limite que respeite e dê boas condições aos jovens atletas, que os pais tenham prazer em poder oferecer um esporte adequado, mas, em condições e limites bem estruturados e organizados.

No final de semana passado, estive no Troféu Roberto Pavel da FARJ e o assunto foi bastante discutido por lá. Na sessão de sábado pela manhã teve um total de 4 horas e 47 minutos de disputa. No sábado a tarde, sem os mirins, a competição foi mais rápida. No domingo, com outro tipo de controle na arbitragem, a FARJ conseguiu dar outro ritmo no torneio.

Não faz muito tempo, as competições de natação no Rio de Janeiro tinham mirins numa etapa e petizes na outra. A FARJ decidiu juntá-los na mesma etapa e ainda adicionou as categorias Mirim Zero e o Pré-Mirim. A verdade é que além de termos juntados as categorias, mais gente está nadando na natação do Rio de Janeiro. Que problema bom!

Não sou contra, pelo contrário, até gostei de ver a arquibancada lotada, equipes grandes, pais e familiares confraternizando no belo complexo aquático da UFRJ no Fundão. Apenas acho que o ritmo e modelo da competição no país precisa ser repensado.
Funcionalidade, agilidade, logística, e principalmente compromisso devem fazer parte da arbitragem e de quem toca a competição..
Todos temos nossas responsabilidades.

Os pais se comprometendo a estar no horário determinado, não ingressar nas áreas onde não devem ter acesso, não ir até a mesa reclamar dos resultados de seus filhos. Isso é responsabilidade dos treinadores. E torcer, vibrar, gritar, prestigiar.

Os árbitros precisam estar atentos as regras, zelar pela conduta e segurança dos atletas. Precisam ser corretos nas decisões e preocupados em oferecer o melhor trabalho possível. É de suma importância estar comprometido com a agilidade e preocupados em entregar o evento dentro do limite adequado.

Os treinadores devem cumprir sua parte em preparar os atletas de forma adequada, educar dos princípios competitivos, de se responsabilizarem por colocar os atletas no momento adequado para as provas, fazer qualquer abordagem referente a resultados junto a mesa e/ou o árbitro geral de forma educada e apropriada.

Os atletas, estrelas máximas de todo evento, devem cumprir seu papel na piscina, fazendo o melhor resultado possível, mas se apresentando na hora e no local indicado, comparecerem ao pódio de forma rápida e devidamente uniformizados.

A Federação ou organização que toca a competição é quem coloca tudo isso junto e reunido. Deve se preocupar em oferecer a piscina adequada, com blocos, raias, bandeirola, arbitragem, boa premiação, boa locução, um evento organizado, bonito e atrativo.

Esta última palavra talvez seja o mais importante de tudo que se escreveu até agora. Temos de fazer nosso esporte interessante, atrativo, principalmente para a nova geração, o futuro da nossa natação. Isso deve ser uma preocupação constante e sem fim!

O “4 hour rule” é apenas o princípio para que tudo isso seja aplicado. E fundamental que se entenda que TODOS fazem parte do processo. Todos tem sua responsabilidade e função. A natação somos todos nós. Todo este processo fica mais difícil, para não dizer impossível, se você se isentar da sua parte e ficar apenas a reclamar deste ou daquele. Só assim faremos este esporte cada vez melhor.

Coach Alex Pussieldi, editor chefe da Best Swimming.

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