Best Interview: Italo Manzine, a experiência de ter uma competição com seu nome

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FABIOLA MOLINA

No próximo dia 7 de outubro, Paraguaçu, no interior de Minas Gerais vai sediar a primeira edição do Troféu Italo Manzine, é uma oportunidade de devolver a quem ajudou na sua formação, na intenção de promover o esporte, quase que devolvendo o que a natação lhe deu. Veja nesta entrevista em detalhes um pouco da carreira e da iniciativa de Italo Manzine Duarte.

BEST SWIMMING – Como nasceu a ideia de realizar a competição com seu nome?
ITALO MANZINE – Depois dos jogos olímpicos Rio 2016 a ideia era criar um legado olímpico, sempre acreditei que o Brasil é um grande celeiro de talentos tem um grande potencial para estar entre os 3 primeiros colocados no quadro geral de medalhas nos Jogos Olímpicos, porém ainda faltam muitos projetos sociais, são eles que ajudaram a revelar atletas como Rafaela Silva, Isaquias Queiroz e muitos outros.
Pensando nisso e depois de muita conversa com meu pai (Wiliam Duarte), achamos que seria interessante começar com um campeonato que faz parte de um projeto social esportivo que visa valorizar e popularizar inicialmente a natação, oportunizando crianças e adolescentes a terem contato e proximidade com atletas de alto rendimento, além é claro de potencializar os possíveis talentos. Num segundo momento devemos expandir o projeto, buscando através de parcerias, viabilizar a construção de um centro de treinamento esportivo, com varias modalidades, onde crianças e adolescentes poderão, no contra turno da escola, descobrir e desenvolver suas potencialidades, aprender os bons valores como os pregados nas olimpíadas, amizade, coragem, determinação, excelência, igualdade, inspiração e respeito, bem como também afastar esses jovens do ócio e das drogas.

BS – E o seu nome?
IM – Em relação ao nome do campeonato levar meu nome, isso nunca me agradou muito, mas muitas da pessoas que estão ajudando a organizar o campeonato acharam que isso seria bom para divulgação, principalmente na cidade de Paraguaçu e região.

BS – Quem realmente organiza a competição e de que forma você está atuando?
IM – Não existe uma pessoas em especifico responsável pela organização do evento, mas sim várias pessoas e organizações se ajudando a organizar o campeonato. O meu pai, eu, o prof. Sidão (Sidney Prado) e a profª. Kellen Cristina, esses dois últimos que foram responsáveis por me ensinar a nadar, estamos fazendo o possível para ajudar da melhor maneira a Prefeitura Municipal de Paraguaçu, que é responsável pela realização do evento, a MGesportes, empresa que venceu a licitação e está organizando o evento, e com o apoio e estrutura do Ideal Clube de Paraguaçu.

BS – Como é voltar a Paraguaçu, que tipo de memória você leva do período que passou por aí?
IM – A época era muito boa. Eu me divertia bastante, haviam muitas crianças aprendendo a nadar, e o amor que o prof. Sidão e a Profª Kellen tem pelo esporte ajudava muito a aprendizagem nas aulas. Também me lembro que a estrutura era bem simples, o bloco na época era de concreto e não possuía suporte para saída de costas e como a piscina não tinha aquecedor e o inverno na região faz muito frio ficávamos de 3 a 4 meses sem treinar devido a baixa temperatura da água que muitas vezes chegava a 15~16º.

BS – Um ano depois de se tornar atleta olímpico como você vê a sua carreira?
ID – Acho que as coisas não mudaram muito, continuo sendo o mesmo cara que brinca bastante com os outros no treino e ainda sonha em ser campeão olímpico. Creio que tenho potencial para tal, mas que o caminho não será nada fácil e que tenho que ainda tenho que batalhar e nadar muito para poder chegar até o local mais alto do pódio olímpico.

BS – Voltar a nadar na casa do 21 é um alíviou uma obrigação?
IM – Creio que foi uma obrigação e também um alívio, houveram muitas mudanças depois dos Jogos Olímpicos no Brasil como um todo, e não foi diferente no Minas Tênis Clube (MTC), quando entrei no Minas em 2014 sob o comando do Head Coach Scott Volkers os resultados foram quase que imediatos para mim, com o fim do ciclo olímpico e o retorno do Scott para a Austrália o MTC abriu um processo seletivo para o cargo de Head Coach, o qual Sergio Onha assumiu tal cargo, os primeiros meses foram de muito aprendizado e adaptação tanto para mim quanto para ele, é bom ver que todo esse percurso está valendo a pena e voltamos a nadar na casa dos 21 segundos. Porém se eu quiser me tornar campeão olímpico teremos que nadar mais vezes para 21,e cada vez mais rápido e principalmente em competições internacionais para ganhar experiência. O Minas Tênis Clube possui uma estrutura fantástica além de excelentes profissionais como o próprio Sergio Onha (Headcoach), Dellano Cézar (Aux. Técnico), Marcelo Vaccari (Aux. Técnico), Felipe Martins (Preparador Físico), Tatiana Ribeiro (Fisioterapeuta), entre outros, então é possível nadar para 21 mais vezes e ser campeão olímpico.

BS – Você já teve uma boa evolução na sua prova, no seu tempo, quais fundamentos que ainda podem ser trabalhados nos seus 50 metros nado livre?
IM – Ainda a muito o que melhorar, e acho que isso é uma coisa boa pois me da uma boa margem de melhora. Minha saída não é da melhores, principalmente o breakout, parte da saída que erro com frequência. Tenho um meio de prova muito forte, porém é no final de prova onde a qualidade e a frequência de braçadas do meu nado ainda cai um pouco. É continuar trabalhando incansavelmente para neutralizar esses pontos fracos da minha prova e manter ou melhorar ainda mais meus pontos positivos.

BS – Você se vê tentando uma vaga nos 100 livre ou acha que isso poderia atrapalhar seu programa dos 50 livre?
IM – Não me vejo treinando especificamente para os 100m livre, o foco é os 50m livre. Apesar de não nadar tão bem os 100m livre, nesses últimos anos tenho aprendido a nadar um pouco melhor essa prova, e acho que é totalmente possível nadar bem os 100m livre treinando especificamente para os 50m e como o Scott dizia “Uma raia, uma chance.”, então tudo é possível.

BS – Te incomoda sempre o assunto ter tirado Cielo da Olimpíada, algo bem batido em quase todas entrevistas que vocêr dá isso sempre vem a tona…
IM – Cesar Cielo é um dos maiores velocistas da natação mundial, senão o maior. Não é meu objetivo realizar ou superar todos os seus feitos, nem eu, nem ninguém irá apagar a história e a grandeza de seus atos. Tenho uma grande admiração e respeito por ele, Cielo me ensinou e ajudou muito quando treinamos juntos no Minas e ainda me ajuda e dá dicas sempre que preciso, e sinceramente me incomoda muito ser comparado com ele ou reconhecido pelo garoto que tirou Cesar Cielo das Olimpíadas. Estou longe de ser melhor do que ele e esse também não é meu objetivo.

BS – Pela tua idade você quer Tóquio 2020 ou algo mais?
IM – Tratando de Jogos Olímpicos, não penso em chegar até Paris 2024. Muitas pessoas, principalmente as mais próximas se sacrificaram e sacrificam para chegar eu até onde eu cheguei, depois de Tóquio 2020 acho que vai ser a hora de retribuir um pouco tudo o que fizeram por mim. Pretendo continuar ajudando o esporte de outra forma, principalmente com os projetos sociais e com a divulgação do esporte.

BS – Alguma dica sobre tua prova? Tipo você pensa na saída antes de fazer ela? Imagina tua prova? Pratica visualização? Uma música que te bota pra cima? E como controla o nervosismo?
IM – 50m livre é uma prova que não se admite erros, cada erro tem um reflexo muito grande no resultado final da prova, então o segredo é treinar bastante todos os fundamentos da prova com bastante qualidade e noção do que está sendo feito. Visualização da prova é outra dica bem legal e tem me ajudado muito desde que comecei a praticar em 2014, visualizando é uma forma de continuar treinando mesmo fora da água e ir automatizando para seu cérebro o que tem de ser feito na hora da prova, além de que isso ajuda bastante no controle da ansiedade e nervosismos, pois é como se você já tivesse vivido aquele momento diversas vezes. Não sou muito de escutar música para competir, escuto apenas um rock antes dos treinos. Para controlar o nervosismo além de praticar visualização diariamente, o controle respiratório é uma tática bem legal, além controlar o nervosismo antes da prova ajuda muito na hiperventilação pulmonar para o bloqueio respiratório. E por último acho importante o velocista estar com a musculatura bem aquecida e ativada antes da prova, então se manter bem agasalhado e praticar um ativação física vai deixar o atleta bem preparado na hora de competir.

Para mais informações sobre o Troféu Italo Manzine visite o site abaixo:
http://www.mgesportes.com.br/evento/11368/

1 Comentário

  1. Nós de Paraguaçu somos imensamente gratos pelo carinho com que Italo Manzine, nosso filho ilustre, demonstra por esta terra querida! Agradecemos também a sensibilidade de Henrique Martins, Joanna Maranhão, Kaio Márcio, Larissa Martins e Roberta Martins para com o projeto esportivo social Descobrindo Novos Talentos Da Natação, e de sua vinda voluntária para enriquecer o evento! Agradecemos também a oportunidade que você, Coach Alex Pussield, tem dado ao divulgar este projeto. Sinta-se convidado para visitar Paraguaçu durante o evento ou a qualquer tempo! Você será sempre bem vindo!

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