Samantha Arevalo, a primeira medalha do Equador em Mundiais

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Um dia histórico para os esportes aquáticos do Equador, para as mulheres desportistas do Equador, um título que transforma Samantha Arevalo, vice campeã mundial dos 10 quilômetros no Mundial de 2017, na maior atleta feminina da história do país.

Equador é um país de pouca tradição esportiva, menos ainda entre as mulheres. O melhor resultado dos esportes aquáticos em Mundiais, haviam duas finais de Jorge Delgado, atual presidente da Federação Equatoriana de Natação, que na primeira edição do Mundial dos Esportes Aquáticos, em 1973, em Belgrado, foi 5o colocado nos 200 borboleta (2:04.03) e 6o nos 100 borboleta (57.41). O mesmo Delgado foi quarto colocado nos 200 borboleta dos Jogos Olímpicos de Munique em 1972 (2:04.60).

Depois disso, o país ganhou uma medalha no Campeonato Mundial Júnior, na primeira edição, no Rio de Janeiro, em 2006, quando Marco Camargo foi medalha de bronze nos 200 borboleta (2:04.41).

Mais recentemente, o país ganhou duas medalhas em Copas do Mundo de Águas Abertas. A própria Samantha Arevalo ganhou um bronze e seu companheiro de treino Esteban Santiago uma prata. E só!

Resultados esportivos no Equador são raridades. São apenas duas medalhas olímpicas desde a estreia nos Jogos em 1924, um ouro e uma prata com o marchador Jefferson Perez, nos Jogos de 1996 e 2008. Fora isso, tem os resultados da LDU no futebol, uma Copa Libertadores, uma Sul-Americana, duas Recopas,mais o América de Quito que também levou a Recopa, e o tenista Andres Gomez campeão de Roland Garros. Mulheres, nada, ou quase nada.

Mariuxi Febres Cordero foi a primeira equatoriana campeã sul-americana de natação. E fez isso cinco vezes. Chegou a Olimpíada, mas nada comparável ao que se viu hoje. Jacinta Sandiford Amador foi a primeira equatoriana campeã pan-americana logo na edição dos Jogos em 1951 levando a medalha de ouro no salto em altura. Tem até um busto em sua homenagem no país.

Samantha Michele Arevalo Salinas, fez muito mais no dia de hoje. Aos 22 anos, completa 23 no dia 30 de setembro, deixou sua cidade natal, na alta Cuenca, a 2.560 metros acima do nível do mar, para ir treinar na Itália, mais precisamente com o técnico Fabrizio Antonelli, bancada pela família e com um pequeno suporte do governo de seu país. A mudança em janeiro já surtiu efeito na sua segunda participação em Mundiais.

Esteve em Kazan, na Rússia em 2015, foi 12a colocada nesta prova. No ano passado, nos Jogos do Rio 2016, ficou em nono. Já tinha sido olímpica em Londres, 2012, não passou das eliminatórias das provas de piscina, foi 29a colocada nos 800 livre.

Samantha é nadadora de destaque local há anos, desde a época onde peito era seu principal nado. Domina o quadro de recordes nacionais. Na longa, detém as marcas de 400, 800 e 1500 livre, 100 e 200 peito, 200 e 400 medley. Na curta, tem recordes nacionais nos 200, 400, 800 e 1500 livre, 100 e 200 peito, 200 e 400 medley. São 15 recordes equatorianos em vigência!

Ela também é figura conhecida na natação brasileira. Desde 2012 tem vindo participar de competições no país, sempre representando o Fluminense onde já subiu várias vezes ao pódio nos campeonatos nacionais absolutos.

Ana Marcela. Campeonato Mundial de Desportos Aquaticos. Lake Balaton. 16 de Julho de 2017, Hungria, Budapeste. Foto: Satiro Sodré/SSPress/CBDA

Samantha Arevalo não impressiona pelo tamanho, tem apenas 1,68 de altura, pesa 58 quilos. Começou no esporte pela influência dos irmãos, triatletas de destaque no país, mas encontrou primeiro na piscina, e depois nas águas abertas a sua oportunidade.

Hoje, no Lago Balaton, a nadadora se tornou na maior esportista de todos os tempos de seu país.

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