Editorial: O enfadado “melhor da história”

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Campeonato Mundial de Desportos Aquaticos. Duna Arena. 12 de Julho de 2017, Hungria, Budapeste. Foto: Satiro Sodré/SSPress/CBDA
FABIOLA MOLINA

Ninguém acredita mais, ninguém mais quer saber.

Na primeira coletiva sobre o Mundial de 2017 em Budapeste, o uruguaio Julio Maglione, Presidente da FINA, anunciou “o maior campeonato mundial da história”. Acompanhando natação há algum tempo, este é meu 10o mundial, posso dizer: “já ouvi isso antes”.

O que faz ser o melhor Mundial? Se for no número de atletas ou países, nem a FINA sabe controlar isso. Disseram que teríamos recorde de nações competindo aqui e falaram em 182. Opa, em Kazan, há dois anos, eram 190. Não deixa de ser expressivo, mas não é o maior.

A FINA tem sido bem falha nestes números. Não se sabe ao certo quantos atletas estiveram no último Mundial. Até mesmo em seus registros se encontram números distintos.

Não é o número de países ou de atletas que vai fazer de Budapeste o “melhor da história”. Por exemplo, em Roma, no Mundial de 2009, tivemos o maior número de recordes mundiais, foram 43. Entretanto, resultados com os trajes tecnológicos, emborrachados e flutuantes, e aquele calor infernal do Foro Itálico (apelidado de Forno Itálico), nos deixam muitas dúvidas de que aquele foi o “melhor Mundial”.

Para mim, cada competição tem algo especial, diferente. É muito mais fácil dizer qual foi a pior, do que a melhor. Quando falamos de Olimpíada, quem esteve em Sydney, em 2000, diz que foi perfeita. Londres, em 2012, muito organizada. E o Rio 2016, que tinha tudo para ser um desastre, não foi.

Aliás, os Jogos Paralímpicos de Londres 2012 foram considerados os melhores, mas a empolgação e o entusiasmo do povo carioca no ano passado fizeram muitos atletas paralímpicos pensarem duas vezes antes de dizer qual foi o melhor. E olha que estou falando dos atletas estrangeiros.

A Presidente Dilma Roussef anunciou que faria a “Copa das Copas” em 2014 e foi zombada, mas quem foi aos jogos, sabe que nossa Copa do Mundo foi muito boa, excelente. Não vamos entrar no mérito das arenas superfaturadas, nos elefantes brancos, esquece, esquece.

Também não fala de legado do Rio 2016, por favor, não fala. A Olimpíada foi ótima, a Paralimpíada melhor, mas não foram as melhores da história. Nem precisa ser, nem acho que isso exista.

O Presidente do Comitê Organizador Budapeste 2017, Dr. Milkos Sesztak, garante que este vai ser o melhor Mundial da história. Não é necessário, afinal os húngaros conseguiram um verdadeiro milagre ao colocar tudo em ordem e preparado para receber o mundo aquático em 30 meses.

Sim, isso mesmo. Enquanto os países tem em média 6 a 7 anos para colocar tudo em ordem, os húngaros ganharam esta incumbência em março de 2015 depois que o México, a cidade de Guadalajara, deu para trás ao desistir da organização do Mundial 2017.

Budapeste já tinha encaminhada a construção desta belíssima arena, a Duna Arena, mas o Mundial seria aqui em 2021. Como as obras estavam adiantadas, os húngaros tomaram o desafio e cumpriram muito bem.

Nos números anunciados pela FINA, teremos 261 milhões de euros em impacto econômico direto com este Mundial. São esperados 350 mil turistas na capital húngara. E a cereja do bolo, é o Mundial Masters, só em atletaa são 12 mil.

Embalados com a busca do melhor da história, dirigentes da FINA, em véspera de eleição, até soltaram que o Mundial dos Esportes Aquáticos é o terceiro maior evento esportivo mundial, só perde para a Copa do Mundo e a Olimpíada.

Wow, e eu que já achava muito ser o “melhor da história”. Não precisa.

Serão 17 dias de muitas emoções, 72 medalhas de ouro a serem distribuídas, seis esportes, cinco dos quais olímpicos, recordes, vitórias e derrotas. As histórias que se contarão a partir de hoje nos deixarão memórias para sempre. E Budapeste 2017 vai ser o “melhor Mundial da história”, pelo menos até o próximo Mundial.

Boa competição a todos!

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