Rômulo Arantes Júnior faria 60 anos hoje

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FABIOLA MOLINA

Quem o conheceu, jamais esquecerá. Rômulo Arantes era diferenciado. Nadador, ator, cantor, músico, compositor, empresário, comentarista de natação na TV, e um livro que estava planejado. Tudo feito com sucesso, destaque e brilho.

Dois dias antes de completar 43 anos de idade, Rômulo nos deixou. Um acidente de ultraleve em 2000, voando junto de um amigo num ultraleve na sua fazenda em Maripá de Minas, no Estado de Minas Gerais. O ultraleve monomotor, modelo Pelicano prefixo 2347 sofreu uma pane e caiu logo em seguida.

Rômulo Duncan Arantes Júnior estaria completando hoje 60 anos de idade. Carioca da gema, filho de pai militar, o destacado treinador Rômulo Arantes, fez carreira no Flamengo, seu clube de coração, e integrou a equipe da Universidade de Indiana, nos Estados Unidos sob o comando do lendário treinador James Counsilman.

Nas piscinas, Rômulo Arantes foi o primeiro nadador brasileiro a ganhar medalha em Campeonatos Mundiais. Entretanto, nunca subiu ao pódio do Mundial de 1978 em Berlim, na Alemanha, para receber o bronze dos 100 costas onde nadou para 58.01. Na prova, Rômulo terminou em quinto lugar, mas virou quarto com a desclassificação do neo-zelandês Gary Hurring pela virada irregular. Dois dias depois, subiu ainda mais, agora para o terceiro lugar, com o doping do soviético Vikor Kuznetsov, terceiro classificado.

Rômulo esteve em três Campeonatos Mundiais e já na estréia foi finalista nos 100 costas do Mundial de 1973 em Belgrado, na antiga Iugoslávia, sétimo lugar, o melhor resultado individual do Brasil naquela competição.

Também foi Rômulo quem deu ao Brasil nosso primeiro ouro nas Universíades ao vencer a prova dos 100 costas em 1977 com 58.45 na competição disputada em Sofia, na Bulgária. Em Universíades, ele voltaria a brilhar com a prata em 1979 e um bronze em 1981, sempre nos 100 costas.

Rômulo Arantes esteve em três Jogos Olímpicos. Estreia em Munique em 1972 onde nadou os 100 e 200 costas parando nas eliminatórias, mas chegou a final com o 4×100 medley terminando em quinto lugar. Voltou em 1976, em Montreal, novamente parando nas eliminatórias e adicionando os 100 borboleta as duas provas de costas. Sua última participação olímpica foi em 1980, em Moscou. Chegou a final, novamente no revezamento 4×100 medley, desta vez, em oitavo lugar. Quatro anos depois, nos Jogos de 1984, em Los Angeles, fora das piscinas, Rômulo era o comentarista na transmissão da TV.

Formado em administração em Indiana, teve carreira destacada fora das piscinas. Empresário de sucesso, foi dono da maior rede de academias e escolas de natação do Rio de Janeiro, a Rômulo Arantes Nadadores. Segundo seus dados, foram quase 9.000 alunos. Nas telinhas, brilhou na TV em 17 novelas desde a estreia em “Brilhante” em 1981 até “Canoa de Bagre” em 1997. Seu último trabalho foi no “Zorra Total” em 2000.

Cena na última novela “Canoa de Bagre”

No cinema, Rômulo esteve em quatro filmes. Na música, fazia parte do grupo “Piloto Automático”, bem eclético tocando desde BB King até Roling Stones. Um dos trabalhos mais destacados foi o documentário “Sonho Olímpico” na TV Globo onde Rômulo interpretou a sua própria carreira, a relação com o pai técnico, o desejo de chegar a Olimpíada e todas as suas conquistas.

O livro que nunca saiu foi uma revelação que me fez quando atuamos juntos como treinadores da Seleção Brasileira Juvenil no Sul-Americano de 1995 em Ibagué, na Colômbia. Rômulo queria reunir histórias, revelações e estratégias de diferentes treinadores. Sua observação era de que treinadores diferentes utilizavam distintos caminhos e conseguiam sucesso. Sua sacada era mostrar que não existia uma fórmula única para o sucesso no treinamento de natação de alta performance por tudo o que via e acompanhava.

Comercial do Unibanco 

O galã Rômulo era uma figura. Divertido, bem humorado, mas de personalidade forte e postura. Durante este Sul-Americano, Rômulo foi advertido pelo chefe da delegação da Seleção Brasileira ao aparecer com um agasalho todo laranja, totalmente diferente do que a delegação utilizava. Interpelado para trocar pelo uniforme oficial, Rômulo diz que aceitava, mas que a CBDA ficasse responsável pelo valor que recebia da Cebion (seu patrocinador pessoal) para utilizar aquele chamante e destacado uniforme laranja. Lá foi Rômulo brilhando alaranjado…

Saudades amigo, muitas saudades….

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