A CBDA não é mais a natação brasileira

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Não sei qual foi a reação de vocês, mas ontem, ao receber as notícias das prisões e demandas da Polícia Federal fiquei atônito, impassível, apavorado. Na hora, passava a mão sobre a cabeça várias vezes sem conseguir assimilar o que se acontecia. Incrédulo!

O momento é grave, e durante o dia, as notícias só fizeram piorar. Começar o dia com a prisão dos dirigentes da CBDA e terminar com o rompimento unilateral do patrocínio dos Correios, foi duro.

As pessoas presas e todos os acusados terão suas oportunidades de defesa. Sou daqueles que acredita na justiça e espero que tudo seja apurado. Mesmo se tratando de prisões preventivas, pela dimensão do caso e o tipo de acusação, estas pessoas estão fora para sempre dos esportes aquáticos do país. Não há como ir contra isso.

Estão afastadas e enterradas todas aquelas teses repetidas com frequência desde que todo este processo começou. Toda esta operação não foi eleitoreira, além de pensar que Ministério Público Federal, Justiça Federal e Polícia Federal pudessem ser utilizados por uma mera disputa de interesses políticos, é abusar de nossa inteligência.

São acusações sérias, graves e preocupantes. 40 milhões é muito dinheiro, fica até difícil acreditar que tal soma pudesse ser mal utilizada ou desviada, mas 29 anos é muito tempo. Tempo demais!

Se foram cometidos crimes de peculato, associação criminosa e fraudes a Lei de Licitações, é a justiça que vai determinar. O que já está determinado e incontestável é a incompetência administrativa da gestão dos esportes aquáticos no país.

São viagens canceladas, desde o Mundial de polo aquático júnior em 2015 no Cazaquistão, o Mundial júnior de águas abertas no ano passado, a Copa Latina no ano passado na Colômbia, os Brasileiros de Inverno do ano passado e deste ano, o atraso no pagamento de árbitros por quatro meses, o Multinations deste ano. São tantas promessas não cumpridas numa entidade inchada e mal gerida que recebeu verba suficiente para estarmos num outro patamar de gestão e perspectiva.

O fracasso da gestão Coaracy Nunes apaga as inúmeras conquistas que ele conseguiu durante estes 29 anos. Ele, por mais que tenha feito (e fez muito), jamais será lembrado ou reconhecido por isso. Fez da CBDA seu quintal, onde de forma autoritária e sem pudor se instalou eternamente. Suas contas foram rejeitadas pelo Tribunal de Contas de União e sua gestão sai manchada para sempre.

A crise dos esportes aquáticos só reforça a importância e a necessidade da transparência, da legitimidade dos direitos e deveres e mostra o quanto a alternância do poder é saudável.

Agora, não é tempo para um discussão de #MUDACBDA ou #NÃOMUDACBDA. Agora é hora de uma NOVA CBDA. É a hora de nos unirmos e encontrarmos soluções, ou vamos todos sucumbir e literalmente nos afogar. A comunidade aquática não pode sair dividida deste processo. Precisamos encontrar uma forma de nos reunir, sentar e discutir o futuro.

Sinceramente me preocupa entrar, ou para ser mais real, seguir nesta briga eterna de processos, ações, liminares e apelações. Já perdemos tempo demais.

Os esportes aquáticos do Brasil não são a CBDA. Somos todos nós! Atletas e ex-atletas, treinadores, dirigentes, clubes, fedeações, imprensa especializada, comunidade aquática. Nós é que precisamos nos unir e sair desta.

Este ano, enquanto não acontece nada na CBDA, estive no Campeonato Brasileiro Escolar, em Aracaju, num show de organização da CBDE. Prestigiei o Campeonato Guilherme Guido em Limeira com presença de mais de 600 atletas. Aracaju realizou outro fantástico Festival CVC de natação para jovens atletas, mais de 500 nadadores. O SESI de São Paulo aprimorou e iniciou uma nova fase da Liga SESI reunindo centenas de atletas com um projeto comprometido com a formação. Thiago Pereira, mesmo aposentado, quer investir no sonho de seguir fazendo seus Swim Camps e sua competição. Cesar Cielo vem com um novo projeto por aí.

Achei fantástica a iniciativa do Minas Tênis Clube em promover a sua disputa interna na realização dos torneios Metropolitano. Conseguiu criar um clima de rivalidade sadia entre os próprios atletas com promoção e divulgação do esporte.
E tem mais, o Polo Aquático Brasil já iniciou seu temporada num projeto vitorioso e que precisa ser levado adiante. Enquanto escrevo este editorial, viajo para Recife onde irei acompanhar o Festival Nordestinho Mirim e Petiz. Não podemos parar…

As federações precisam arregaçar suas mangas e cair em campo. A hora é de trabalhar. Atletas devem treinar mais do que nunca, treinadores precisam planejar e programar ainda mais. Precisamos buscar soluções e um projeto para sairmos desta mais forte,

Isso não é discurso político. Não sou candidato a nada, sou apenas como todos vocês que me lêem, eu sou a natação brasileira, todos somos, e precisamos sair disso tudo juntos. Nós é que somos a natação brasileira!

12 Comentários

  1. Infelizmente dependemos dessa instituição para homologar os resultados das competições. Não fosse isso surgiriam associações para dar conta da natação.

  2. Enquanto a CBDA estava amamentando, estava tudo sob controle. Isso não é verdade há muitos anos. Não há planejamento para a natação e para outros esportes. Vamos ver: os grandes atletas treinam fora, treinam para os campeonatos americanos. E há décadas que eles nos enganam. Por que nos enganam? porque somos fracos nos planejamentos, e nossos craques, antes de serem nossos, são dos americanos. A CBDA deveria fazer uma natação para o Brasil. Quem quiser treinar em Java, Belize, Tibete ou Kurkstão, que vá. O dinheiro do Pai-trocinador, do Clube ou da Federação, deveria bancar esse treinamento. O dinheiro das empresas e do Governo que entrarem na CBDA servirá para um treinamento dos brasileiros que por aqui se esforçam. Ninguém me diz, eu vi, muitos craques pagos pelo difícil dinheiro do Brasil, sem treinar e estudar, ganhando pelos dois. Eu também vi, craque vivendo um sonho americano, pela Califórnia, com o dinheiro brasileiro. O mais engraçado foi um craque do nosso esporte, abandonar o treinador e treinar uma vez por mês com um guru.
    A Jamaica treina em casa. O campeão é feito lá ou não haverá campeão. São muitos os dirigentes e treinadores espertos. Parabéns aos nossos heróis brasileiros, aqueles que são forjados por aqui, e quando são campeões, vão se destreinar lá fora, enganados por todo tipo de gente.

  3. Novidade nenhuma. A mesma panela de muitos anos e um bando de lambe-botas ou no esquema e ou se dando bem com esse monte incompententes e corruptos. Sempre olharam para o próprio umbigo é um monte de abestalhados aplaudindo querendo uma vaguinha como membro de uma seleção, de um treinamento, etc.

    Quando comentam que fez muito pela natação!!!! Kkkkkk Comprem-me um bode! Lorota! Os clubes atletas, pais de atletas e treinadores, com seus êxitos e esforços, que fizeram algo pela natação.

    Perpetuaram-se no poder com uma concepção de gestão equivocada e corrupta, além de uma visão técnica ultrapassado e centralizadora. Basta ver por quantos anos os Diretores desse troço estão afundando a natação.

    Novidade?! Assustado!? Apavorado?! Não eu! Apenas aquela sensação de que sabia que algo muito errado vinha acontecendo.

    Por que a polícia federal!? Como esses terroristas do esporte se reelegeram por tantos anos?! Tiveram que VACILAR ou algum TRAÍRA do esquema denunciou.

    Lembrem do resultado da natação brasileira nas olimpíadas na sua casa.

    A vaia não vai só para os dirigentes descobertos corruptos, mas pelos outros cúmplices que colocaram esses irresponsáveis por lá todo esse tempo.

    Não me sinto envergonhado. Sinto-me aliviado.

  4. Coach resumindo, suas palavras são sábias e de uma visão muito clara do que acontece e do que precisa acontecer.
    Parabéns por mais essa.
    Grande abraço
    Danilo Carvalho – SESI SP

  5. Caro Coach, concordo com voce e com todos que comentaram ate agora, a NOSSA natação não pode parar, vamos continuar lutando(nadando) com todas as nossas forças.
    A natação é MUITO mais forte que tudo isso aí!!!!!!!!!!!!

  6. Parabéns, Coach. Você é o melhor comentarista de esportes do país, não é à toa.

    Você não escreveu com todas as letras, mas seu texto parece se coadunar com o que eu penso: livrar o esporte – no que for possível – das garras de uma Confederação! Nenhum esporte é a sua Confederação!Projetos sociais, formação de ligas independentes, torneios internos, etc, são formas de se trabalhar o esporte, sem se submeter aos desmandos de certos personagens.

  7. Para que uma “Nova CBDA” surja, essa fase de judicialização era inevitável. Seja por parte do MPF, movido por denúncias de atletas, seja por parte da oposição, que enfrenta métodos mais afeitos à “Cosa Nostra”, do que algo que se esperaria de dirigentes esportivos… É claro que isso não é o ideal. É consequência direta do tipo de material humano, e práticas, dos “donos” dessa “capitania hereditária” que a entidade havia se tornado.

    A oposição, apoiada por um grupo de ex-atletas e atletas (como a Joanna) só tinha nas mãos os instrumentos que o Estado Democrático de Direito lhe facultam, para fazer valer a legislação do país. De maneira alguma esse processo de judicialização deveria ser minimizado em sua importância. Assim como você, minha vida está ligada aos USA, há muito tempo. Um país de leis. Um país de cumprimento de leis. Um país onde se faz cumprir essas leis através do excelente Poder Judiciário deles. A judicialização, em si, não é o problema original. É sua consequência inescapável. Especialmente num clima de terror e perseguições, que fez a maioria dos atletas, técnicos e alguns jornalistas buscarem uma neutralidade auto-protetora. E não se arriscarem a enfrentar o problema original.

    A situação atual da CBDA é gravíssima. Vai demandar gestão com um grau de experiência considerável, com dimensões jurídica, financeira, de marketing, gestão de RH, etc… típicas de um “turnaround” de empresa em dificuldades. No cenário atual, a capacitação e “track record” de gestão do Miguel Cagnoni são a melhor chance de arrumar a casa, colocar o telhado em ordem, e entregar, no fim do mandato, a entidade “redonda” para um novo presidente. Assim como foi feito na FAP. A federação mais “redonda” do país.

    Se o candidato de oposição hoje fosse algum ex-atleta, recém aposentado das piscina, com pouca ou nenhuma experiência profissional (fora a de atleta profissional), seria triturado, esmagado pela complexidade do que vem pela frente… Essa “bucha” agora requer uma experiência muito diferenciada. Não é “emprego para recém formado”… Poderia, inclusive, “queimar” esse jovem para uma oportunidade de gerir a entidade no futuro. Pular etapas de desenvolvimento profissional é perigoso. Imprudente. E temerário.

    Em suma, uma “Nova CBDA”, hoje, só será possível com o “Muda CBDA”. É a única forma de fazer o trabalho de limpeza, organização, reestruturação e reequilíbrio. Palavras utópicas de uma “grande união”, de “evitar divisões” soam bastante afastadas da realidade. Quando se afasta um grupo de pessoas, por práticas condenáveis, não há mais espaço para eles na mesa. Há, sim, espaço para união entre as pessoas de bem. Os bem intencionados. E só. E com foco em resultados. Não há tempo para assembleísmo. O paciente está em estado crítico. Na UTI.

  8. Caro Coach. Seu texto descreve o sentimento de todos nós. Temos que continuar o caminho da natação brasileira. Com dedicação e amor, pela natação, redobrados. É constrangedor ter tais notícias e que se assemelham tanto ao próprio país. Mas seremos mais fortes. Abraço

  9. Infelizmente o medo de retaliação sempre permeou a atitude dos atletas e técnicos no Brasil. Medo de represália da antiga gestão, que hoje sabemos era criminosa. Hoje não existe mais essa gente. Foram afastados e alguns presos. Chegou a hora, não podemos esperar nada mais, muito menos ainda ter dúvidas quanto a como se posicionar. Presidentes de Federações que ainda defendam ou compactuem dessa antiga gestão, certamente podem ser alvos da PF.
    A natação brasileira precisa mudar, a CBDA precisa mudar. E o cara certo para isso agora é o Miguel Cagnoni. Dirigente exemplar, que comanda a maior e melhor federação aquática brasileira. Um exemplo de gestão e resultados.
    Conclamo toda comunidade aquática e se pronunciar. A se levantar contra o que aí estava, para que possamos juntos criar um novo capítulo da natação brasileira!

  10. Alex.
    Demorou muito para acontecer. O esporte perdeu muito durante todos esses anos.
    Devemos pensar no presente e no futuro do desporto aquático, e rápido, porém jamais poderemos esquecer tudo de ruim que foi feito. Pior, os principais responsáveis por ter mantido 29 anos de monopólio e ditadura foram as próprias federações, clubes, atletas, comunidade aquática. Isso é tão gritante que mesmo numa situação absurda e escandalosa de prisão do ex presidente e diretores, a maioria das personalidades aquáticas prefere ficar calada e omissa. Esta falta de posicionamento é inaceitável e alimenta a falta de mudança. Fez isso durante 29 anos.
    Devo fazer uma menção especial a Joana Maranhão, que apesar de ser mulher, fez o papel que muito homem bunda mole não teve coragem.
    Tomara que a justiça seja feita e que apodreçam na cadeia. Não precisamos desse tipo de gente no esporte.

  11. Caro Coach, você é a cara da natação brasileira, já te disse isso um par de vezes.

    Quanto ao quadro eleitoral, existe uma alternativa fácil, estatutária e simples: a oposição, na pessoa do Miguel Cagnoni. Ele é totalmente íntegro, nunca teve um processo, geriu a FAP de forma exemplar, colocou milhares, MILHARES de crianças na água nas cinco modalidades, e fez uma gestão austera e eficiente.

    É candidato da oposição. Por que não confiar nele? Está na hora de as pessoas se posicionarem politicamente SIM!

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