65 anos de 200 peito na história da natação mundial

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Nenhum estilo foi tão discutido, controverso e modificado como o nado peito. Sua forma, técnica e movimentos foram alterados diversas vezes durante o tempo, mas é fato de que foi o primeiro estilo competitivo quando a natação começou a ser disputada de forma organizada ainda no século 19.

Hoje, 14 de março, os 200 peito estão completando 65 anos de vida. Foi nesta data em 1952 que o dinamarquês Ken Knud Gleie nadou a prova no Campeonato Nacional local em Copenhaguen para 2:37.4. A marca foi obtida um dia antes de Gleie completar 17 anos num jovem talento que prometia para os Jogos Olímpicos que aconteceriam quatro meses depois em Helsinke, na Finlândia.

Lá, Gleie, jovem, inexperiente, nem passou das eliminatórias em prova que acabou vencida por John Davies da Austrália sem superar a marca do dinamarquês. O recorde seria batido em 1954 pelo japonês Masaru Furukawa nadando em Tóquio para 2:36.6. Furukawa tinha uma técnica diferente, nadava muito tempo embaixo d’água e quando venceu o ouro na Olimpíada seguinte, em Melbourne 1956 nadou um quarto da prova de forma submersa.

Foi aí que a FINA foi obrigada a fazer mais uma “reforma” no nado. O peito nasceu em 1908, nos primeiros Jogos Olímpicos onde os 200 metros nado peito foram disputados e o britânico Frederick Holman venceu com 3:09.2. As mulheres chegaram depois, em 1921, a belga Emily van den Bogaert se tornava na primeira recordista mundial da prova no feminino com 3:38.2.

Na década de 30, diversos nadadores criaram uma nova técnica, a recuperação dos braços por fora. Assim, até 1952, a prova de peito era uma mistura de nadadores que optavam por trazer os braços por fora, outros por dentro. Maria Lenk que foi uma das pioneiras no peito com recuperação de borboleta chegou a ser recordista mundial da prova em 1939 com 2:56.0.

Maria Lenk

Para 1952, a FINA decidiu, peito é peito, borboleta é borboleta. Assim, Ken Knud Gleie foi o primeiro recordista mundial da prova. A técnica do japonês de nadar submerso forçou a FINA para mais uma mudança, assim em 1956, foi limitado o número de movimentos que poderia ser executado embaixo d’água, porém sem limite de deslocamento submerso.

A mudança expressiva mais recente no nado peito veio em 2005. Após o Mundial de Montreal foi aprovada a execução de uma pernada de borboleta durante a filipina. A mudança na época foi a institucionalização do que os nadadores já faziam de forma irregular, inclusive o então campeão olímpico da prova dos 100 e 200 peito, Kosuke Kitajima.

Kosuke Kitajima (Photo by Jamie Squire/Getty Images)

Em 2014, a mais recente adaptação no estilo mudou um detalhe na execução da filipina. Antes, o movimento da filipina precisava começar pela braçada, ou seja, para a execução da pernada de borboleta, o atleta teria de pelo menos iniciar a abertura dos braços. A nova regra, determina que ele pode executar tal pernada com os braços extirados a frente. A única limitação é de que apenas uma pernada de borboleta pode ser executada na parte submersa do nado.

O peito por tradição e até mesmo por ser o nado mais submerso da natação sempre foi recheado de controvérsias. Nos Jogos de Melbourne em 1956, quando os estilos de borboleta e peito foram separados, um terço dos atletas participantes foram desclassificados na prova dos 200 peito. Incluindo o alemão Herbert Klein que havia sido bronze na Olimpíada anterior.

Ken Knud Gleie, o primeiro recordista mundial dos 200 peito em 1952, faleceu em 2010, aos 74 anos. Esteve em duas Olimpíadas, o melhor resultado foi em Melbourne em 1956 quando terminou na sexta colocação. Nadava pelo IF Sparta, da capital Copenhaguen.

Ippei Watanabe, Japão

Desde o recorde de Gleie há 65 anos, a marca dos 200 metros nado peito foi batido 42 vezes. O recorde atual é o único que foi batido em 2017, Ippei Watanabe que nadou a Copa Kosuke Kitajima em janeiro para 2:06.67. Kitajima que inclusive foi recordista mundial da prova por três vezes. Porém, o maior recordista dos 200 peito em piscina de 50 metros é o americano Mike Barrowman, um americano que nasceu em Assunção, no Paraguai, e que quebrou o recorde da prova por seis vezes em 13 anos de domínio da distância.

Veja o vídeo do recorde mundial atual dos 200 peito batido por Watanabe em janeiro:

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