A Era dos G.O.A.T. – Greatest Of All Time

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Na madrugada de domingo, o brasileiro Anderson Silva venceu o americano Derek Brunson em Nova Iorque chegando a sua 34a vitória na carreira, agora com 41 anos de idade. A vitória, um tanto controversa pela decisão dos juízes que lhe deram decisão unânime, premia a carreira do maior lutador do UFC da história. Anderson Silva é o G.O.A.T., Greatest of All Time do MMA, apontado pela mídia, pelos experts, pelo público.

Uma carreira de quem conseguiu 17 vitórias consecutivas e 10 defesas de títulos, recordes que se mantém intocáveis.

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A imprensa e os fãs adoram esta busca incessante de apontar quem foi o maior e o melhor de todos os tempos. A discussão ganha eco ao valorizarmos nomes e registros do passado, e principalmente, destacando os nomes da atualidade, incrementando o valor de mídia e promoção do esporte.

Quem esteve ou acompanhou o Rio 2016 teve a oportunidade de ver alguns destes GOATs. Michael Phelps na natação e Usain Bolt no atletismo são incontestáveis.

Phelps disputou sua quinta Olimpíada no Rio de Janeiro, ele que já era o primeiro, e único, tri campeão mundial da natação, virou o único tetra ao vencer os 200 medley. Chegou a 28 medalhas olímpicas, 23 delas de ouro. Terminou a carreira com 39 recordes mundiais e 33 medalhas em campeonatos mundiais, todos números recordes e inimaginavelmente alcançáveis. Nunca ninguém havia sido campeão olímpico da natação, perdido o título e voltado a vencer. Só ele, Phelps.

Swimming: Michael Phelps Portrait Time Inc. Studios New York, NY USA 08/29/2016 SI-523 TK1 Credit: Simon Bruty

Nas pistas, Usain Bolt tem menos medalhas que Michael Phelps, são “apenas” oito, mas todas douradas. Eram nove, mas a desclassificação recente do revezamento 4×100 metros rasos dos Jogos de Beijing 2008 pelo doping do companheiro de equipe Nesta Carter tirou a medalha de Bolt.

Ele havia conquistado o inédito “triplo triplo” de ganhar três medalhas de ouro em três Olimpíadas nas três provas dos 100, 200 e 4×100 metros rasos. Bolt perdeu a medalha, mas jamais a admiração.

Diferente de Phelps, que não tem concorrente na disputa do melhor da história, podem haver pessoas citando o finlandês Paavo Nurmi ou até mesmo o americano Carl Lewis nesta disputa pelo melhor da história no atletismo. Nurmi brilhou nos Jogos de 1920 a 1928 conqusitando 12 medalhas olímpicas, nove douradas. Lewis foi 10 vezes medalhista olímpico sendo nove delas de ouro.

Ser o “maior de todos” não quer dizer somar maior medalhas. É uma condição que se confunde com opiniões e discussões subjetivas. É o caso da americana Alysson Felix que no Rio 2016 ganhou três medalhas, duas delas de ouro. Chegou a nove medalhas olímpicas na carreira, seis delas de ouro, ambas as marcas lhe dão o título de maior medalhista e maior vencedora do atletismo olímpico entre as mulheres.

Tom Brady há duas semanas levou o New England Patriots para o seu quinto título do Super Bowl e ganhou o seu quarto MVP. Para quem ainda tem dois MVPs da liga, é o quarto da história no total de jardas em passes e também quarto em passes que resultaram em touchdown Tom Brady é incontestável. Os americanos são bons em números, e Brady é ainda melhor. Tem 208 vitórias na carreira de 17 anos na NFL sendo considerado o maior quarterback da história.

Lionel Messi e Cristiano Ronaldo tem se revezado nos prêmios de maior jogador de futebol do mundo. Desde 2008, quando não dá Messi, dá Cristiano. O argentino acumula uma vitória a mais, cinco a quatro, mas o prêmio pouco reflete a história do futebol, afinal, começou a ser entregue em 1991.

Portal O Dia
Portal O Dia

Diferente dos esportes americanos, o mundo não é tão preciso nas estatísticas e contabilidades esportivas. Assim, o Rei Pelé pela International Federation of Footbal and Statistics é o líder na soma de maior número gols marcados com 1.281. Alguns contestam, mas o que se sabe é que tanto Messi (560 gols) como Cristiano (833) estão longe do Rei.

Se o Rei é Pelé, a Rainha do futebol é Marta. Escolhida como a melhor do mundo pela FIFA cinco vezes, tendo terminado no Top 3 em 12 das 13 vezes que o troféu foi distribuído.

No mês passado, ao vencer o Aberto da Austrália, o tenista suiço Roger Federer provou que idade é apenas um número e abriu ainda mais a sua vantagem de maior vencedor de Grand Slams da história. Chegou ao quinto Aberto da Austrália e o 18o título de Grand Slam. O americano Pete Sampras, já aposentado, e o espanhol Rafael Nadal vem empatados na segunda posição com 14 conquistas.

No tênis feminino, o título de Great of All Time parece a caminho de Serena Williams. Com 35 anos de idade, Williams venceu o Aberto da Austrália pela sétima vez somando 23 títulos de Grand Slam ficando a apenas um de empatar com a australiana Margaret Court que nas décadas de 60-70 dominava o tênis mundial.

O basquete tem uma história rica internacional, mas é na NBA, a liga profissional americana, onde vamos encontrar os números mais expressivos. Kareem Abdul-Jabbar é o maior pontuador da história com 38.387 pontos. Uma vantagem de quase dois mil pontos a frente de Karl Malone. Ente os jogadores em atividade, LeBron James vem em oitavo mais de 10 mil pontos atrás.

Se a estatística for por média por partida, Abdul-Jabbar cai para a 15a posição com 24 pontos por partida. Na liderança Michael Jordan e Wilt Chamberlain, os únicos com 30 pontos por jogo.

Se os números mágicos do basquete vem da NBA, um jogador nunca jogou na liga americana e vai ser homenageado por ela. O brasileiro Oscar Schmidt que recusou vários convites para atuar por lá é o maior pontuador da história do basquete em Campeonatos Mundiais.

No basquete feminino, os números não são suficientes para apontar quem é a melhor de todos os tempos. Um jornal americano fez um artigo em 2014 “Who is the greatest women’s basketball player ever” e todas as dez relacionadas são americanas, não deram espaço para nenhuma estrangeira, nem sinal de Magic Paula ou Rainha Hortência. Talvez, pela sua expressão no final da década de 70 a americana Carol Blazejowski ganha mais destaque, mas não existe unanimidade, longe disso.

No volei, em 2001 a FIVB, Federação Internacional de Volei decidiu fazer uma premiação diferente. Quem foram os jogadores do século? Uma comissão de 12 pessoas fez uma seleção de nomes depois de centenas de atletas submetidos pelo público. Analisando resultados, performance individual, além de qualidade técnica e contribuição ao esporte, a cubana Regla Torres foi a vencedora no feminino enquanto tivemos um empate no masculino entre o americano Karch Kiraly e o italiano Lorenzo Bernardi.

O Brasil, uma das maiores expressões do voleibol mundial, não venceu, mas teve Fernanda Venturini listada no feminino e Renan Dalzotto no masculino.

Números nem sempre serão os decisivos na escolha do melhor de uma modalidade. No boxe, o italo americano Guglielmo Papeleo teve 229 vitórias em 241 lutas na década de 40. Muhammad Ali, apontado pela maioria como o maior boxeador de todos os tempos nem aparece no Top 10 do ranking de vitórias.

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Ali é o único boxeador da história a se sagrar campeão mundial dos pesos pesados por três vezes. Reconhecido como “The Greatest”, ele foi premiado pela revista Sports Illustrated e pela cadeia de TV britânica BBC como o melhor atleta do século.

Na ginástica do Rio 2016, a americana Simone Biles foi a grande estrela feminina de toda Olimpíada. Aos 19 anos de idade, Biles já acumula 19 medalhas em Mundiais e Olimpíadas. O futuro é promissor, mas em números, ela ainda está distante dos maiores medalhistas olímpicos do esporte, condição esta ocupada pelos soviéticos Larisa Latynina com 18 medalhas e Nikolai Andrianov com 15.

O esporte não é popular no Brasil e voltou ao movimento olímpico no ano passado depois de 112 anos de ausência. Porém, o golfe é um dos esportes de maior distribuição de prêmios e que reúne alguns dos mais bem pagos atletas do planeta. A revista Athlon Sports & File fez a lista dos 20 melhores jogadores da história no ano passado e o americano Tiger Woods aparece na liderança.

Forbes
Forbes

Woods vai na sua 21a temporada como profissional e 106 vitórias. É o jogador com maior número de vezes na posição número 1 do ranking mundial, escolhido como o PGA Jogador do Ano em 11 vezes e segundo no número de títulos do Major, com 14, quatro atrás de Jack Nicklaus. Detalhe que mesmo em atividade, Tiger Woods hoje não está nem entre os 500 primeiros colocados do ranking mundial.

Invencibilidade é algo impensável no esporte. Derrota é algo que faz parte da carreira de todo grande desportista. Alguns, ficam longo tempo sem perder. É o caso do judoca francês Teddy Riner. Perdeu apenas duas vezes em toda a sua carreira de alta performance, a última em setembro de 2010. Oito vezes campeão mundial, duas vezes campeão olímpico, Riner está na lista de muitos como o melhor da história da judô.

O site Sportsmuntra publicou há dois anos uma lista dos 10 maiores judocas da história e colocou Teddy Riner em sétimo. O maior da história para o site é o pioneiro Kanô Jigorô, um dos fundadores da versão atual do judô e que esteve nas Olimpíadas entre 1912 a 1936. O site também destaca Yasuhiro Yamashita que acumula o recorde de 203 vitórias consecutivas tendo vencido um total de 79 torneios internacionais.

Quem não perde há muito tempo é Katie Ledecky. A nadadora americana de apenas 19 anos de idade pode até ser contestada como a melhor da história, mas pelos resultados desde a sua estreia olímpica em Londres 2012 a tendência é cada vez maior de ganhar esta condição.

Além dos recordes mundiais dos 400, 800 e 1500 metros nado livre, Katie Ledecky tem um domínio impressionante nas suas provas. Nos 400 livre, tem nove das dez melhores marcas da história, nos 800 tem todas as dez, e nos 1500 livre tem seis das dez. Não é a toa que a nadadora aparecia sozinha na imagem da TV vencendo suas provas no Rio 2016 sendo responsável pelas vitórias mais fáceis dos Jogos. Foram cinco segundos de vantagem sobre a segunda colocada nos 400 metros e quase 12 segundos nos 800.

Ainda nos esportes aquáticos, a chinesa Wu Minxia é o nome dos saltos ornamentais. Oito vezes campeã mundial, cinco vezes campeã olímpica, se aposentou no final do ano passado após mais uma passagem vitoriosa pelos Jogos Olímpicos. Na sua carreira, são 37 medalhas internacionais, 23 delas douradas.

No nado sincronizado, todas as medalhas de ouro da história olímpica foram russas. Fica difícil decidir qual, mas três atletas acumulam cinco ouros em suas participações olímpicas: Anastasia Davydova, Natalia Ishchenko e Svetlana Romashina. Para desempatar esta briga interna, vamos as conquistas dos Campeonatos Mundiais onde novamente as russas dominam de forma impressionante. Davydova tem 13 medalhas de ouro, Ischenko 19 e Romashina com 18.

No polo aquático, o húngaro Deszo Gyarmati é o nome que se sobressai no esporte. Presente em cinco Olimpíadas, foi medalhista em todas elas. Foram três ouros, uma prata, um bronze. Reconhecido em seu país como o maior vencedor da história do esporte, é apontado como o maior de todos os tempos no polo.

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Nas águas abertas, ainda não temos uma unanimidade entre as mulheres. A russa Larissa Ilchenko, campeã olímpica de 2008 e oito vezes campeã mundial é a mais citada. Situação diferente entre os homens, onde o alemão Thomas Lurz é mencionado com frequência. Duas medalhas olímpicas e 20 medalhas em Mundiais, 12 vezes campeão mundial nos 5, nos 10, nos 25 e na prova por equipes. Um atleta completo que deixou o esporte faltando menos de um ano para o Rio 2016 alegando falta de motivação.

(AP Photo/Manu Fernandez)
(AP Photo/Manu Fernandez)

Os maiores de todos os tempos são assim, atletas vencedores com registros históricos e impressionantes. Marcas e recordes que ficam para sempre em performance memoráveis e que trazem a paixão e a admiração do público ao esporte. Seus feitos promovem, divulgam e popularizam o esporte ao redor do planeta.

Pelo investimento de mídia, patrocínios e o profissionalismo não fica difícil entender o motivo da maior concentração dos “Greatest of All Time” nos tempos atuais. O retorno financeiro incentiva atletas oferecendo condições de treinamento e competição cada vez melhores, bem como o investimento na área da ciência do esporte em avanços de biomecânica, de fisiologia, de nutrição, psicologia e técnica.

Por conta disso, em breve, esta lista vai ganhar novos nomes, novos feitos e registros. O esporte vai continuar revelando novos heróis e marcas históricas para sempre podermos comemorar e reconhecer aqueles que são os maiores da história.

3 Comentários

  1. Coach, há um erro na parte relativa ao futebol. Nem entro na discussão subjetiva entre quem é melhor entre o gênio Lionel Messi e o fazedor de gols Cristiano Ronaldo, que a meu ver parece absolutamente sem sentido. Mas com relação a dizer que o português tem quase 300 gols a mais que o argentino (833×560) aí sim existe um erro. Ambos tem praticamente o mesmo número de gols, na ultima atualização que li a diferença era de cerca de 20 ou 30 gols pró-Cristiano, que no entanto é 2 anos e meio mais velho e com isso será em algum momento ultrapassado, talvez ainda esse ano onde já demonstra queda de rendimento. Favor verificar esses números.

    • Hendrix, eu utilizei o site indicado no texto como referência. E até cito na matéria, diferente dos esportes americanos, onde as estatísticas são precisas, nos demais existem muitos conflitos. Seu comentário só adiciona elementos para o texto.

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